31/07/2015
Elevação da Selic compromete mais o PIB e reduz investimento social
Dizem que brasileiro não tem memória. Mas nem é necessário lembrar de muito tempo atrás para saber que o país estava muito melhor quando a taxa de juros era mais baixa. Entre janeiro e maio de 2015, o governo federal gastou 7,4% do Produto Interno Bruto, o PIB, com juros para pagamento da dívida pública. Nessa fase, a taxa oficial, a Selic, saiu da casa do 10,5% e chegou a 13,75%. No mesmo período de 2014, foi consumido muito menos: 3,32% do PIB para pagar juros. A Selic, então, estava entre 10% e 11%.
Traduzindo em cifras, no acumulado deste ano os juros nominais somavam R$ 198,9 bilhões até maio, comparativamente a R$ 101,6 bilhões no mesmo período do ano anterior (dados são da nota de política fiscal do Banco Central). Assim, mais um passo atrás foi dado nessa quarta-feira, quando o Comitê de Política Econômica, o Copom, decidiu novamente elevar a Selic para 14,25%, alta de 0,5 ponto percentual. É o maior nível em nove anos (estava em 14,75% em julho de 2006).
Cada vez que a Selic sobe assim, 0,5 pp, mais R$ 11,8 bi dos gastos do governo são consumidos com juros.
Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT) – que protestou na terça, em Brasília –, essa política econômica está totalmente equivocada. Presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten aponta que um aspecto muito negativo da política econômica que está sendo implementada pelo governo é a elevação da taxa. "Isto vem transferindo recursos da sociedade para o rentismo. Vem aprofundando uma crise e tem feito a economia patinar, na contramão da retomada do crescimento e da inclusão social", afirmou.
Diz a CUT que as medidas de ajuste propostas pelo governo deveriam incidir sobre os setores mais abastados da sociedade, que concentraram renda e poder sonegando impostos e se beneficiando de uma política tributária regressiva.
A central questiona também a eficácia da elevação da taxa de juros como medida de combate à inflação e seu efeito deletério na economia, ao provocar a elevação da dívida pública, limitar o investimento do Estado em infraestrutura e políticas públicas e inibir o investimento privado na produção.
A quem interessa o aumento das taxas de juros
A prática de taxas elevadíssimas de juros, entre as maiores da economia mundial, ao mesmo tempo que representa mais lucro para o sistema financeiro e para os rentistas tem efeitos extremamente danosos para a sociedade e a economia. O aumento dos juros inibe o consumo e os investimentos, drenam recursos do Estado para o setor financeiro e estimulam o rentismo, em detrimento dos investimentos na produção, que poderiam gerar mais empregos, renda e gastos sociais.
Os bancos são diretamente beneficiados pela elevação da taxa Selic. Por um lado, suas despesas com captação de recursos crescem, já que precisam oferecer taxas mais elevadas aos clientes pelas suas aplicações. Mas, em contrapartida, suas receitas também crescem, especialmente as oriundas das aplicações em Títulos e Valores Mobiliários (TVM) e das aplicações ou depósitos compulsórios no Banco Central que são, em parte, remunerados pela Selic.
Até o final de abril deste ano, os bancos possuíam R$ 45,87 bilhões em depósitos compulsórios nos cofres da autoridade monetária. Com a última alta da Selic, para 13,75%, ao ano a remuneração dos compulsórios sobre depósitos a prazo deverá se elevar ainda mais e, com isso, as receitas dos bancos oriundas desses depósitos.
Traduzindo em cifras, no acumulado deste ano os juros nominais somavam R$ 198,9 bilhões até maio, comparativamente a R$ 101,6 bilhões no mesmo período do ano anterior (dados são da nota de política fiscal do Banco Central). Assim, mais um passo atrás foi dado nessa quarta-feira, quando o Comitê de Política Econômica, o Copom, decidiu novamente elevar a Selic para 14,25%, alta de 0,5 ponto percentual. É o maior nível em nove anos (estava em 14,75% em julho de 2006).
Cada vez que a Selic sobe assim, 0,5 pp, mais R$ 11,8 bi dos gastos do governo são consumidos com juros.
Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT) – que protestou na terça, em Brasília –, essa política econômica está totalmente equivocada. Presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten aponta que um aspecto muito negativo da política econômica que está sendo implementada pelo governo é a elevação da taxa. "Isto vem transferindo recursos da sociedade para o rentismo. Vem aprofundando uma crise e tem feito a economia patinar, na contramão da retomada do crescimento e da inclusão social", afirmou.
Diz a CUT que as medidas de ajuste propostas pelo governo deveriam incidir sobre os setores mais abastados da sociedade, que concentraram renda e poder sonegando impostos e se beneficiando de uma política tributária regressiva.
A central questiona também a eficácia da elevação da taxa de juros como medida de combate à inflação e seu efeito deletério na economia, ao provocar a elevação da dívida pública, limitar o investimento do Estado em infraestrutura e políticas públicas e inibir o investimento privado na produção.
A quem interessa o aumento das taxas de juros
A prática de taxas elevadíssimas de juros, entre as maiores da economia mundial, ao mesmo tempo que representa mais lucro para o sistema financeiro e para os rentistas tem efeitos extremamente danosos para a sociedade e a economia. O aumento dos juros inibe o consumo e os investimentos, drenam recursos do Estado para o setor financeiro e estimulam o rentismo, em detrimento dos investimentos na produção, que poderiam gerar mais empregos, renda e gastos sociais.
Os bancos são diretamente beneficiados pela elevação da taxa Selic. Por um lado, suas despesas com captação de recursos crescem, já que precisam oferecer taxas mais elevadas aos clientes pelas suas aplicações. Mas, em contrapartida, suas receitas também crescem, especialmente as oriundas das aplicações em Títulos e Valores Mobiliários (TVM) e das aplicações ou depósitos compulsórios no Banco Central que são, em parte, remunerados pela Selic.
Até o final de abril deste ano, os bancos possuíam R$ 45,87 bilhões em depósitos compulsórios nos cofres da autoridade monetária. Com a última alta da Selic, para 13,75%, ao ano a remuneração dos compulsórios sobre depósitos a prazo deverá se elevar ainda mais e, com isso, as receitas dos bancos oriundas desses depósitos.
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