23/03/2015
Contra falta d'água, ato cobra propostas efetivas do Governo de São Paulo
“O governador culpa São Pedro, mas São Pedro está fazendo a parte dele. Essa desculpa não cola.” A afirmação em tom de brincadeira, mas com fundo de seriedade, foi dita nesta sexta-feira 20, debaixo de uma forte tempestade, durante Ato de Luta pela Água promovido pelo coletivo homônimo formado por diversos movimentos sociais e entidades sindicais.
A manifestação se concentrou na praça Oswaldo Cruz e percorreu a Avenida Paulista até a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estadp de São Paulo, localizada na Rua Bela Cintra. Em frente ao prédio, uma comissão formada por integrantes do coletivo entregou a um assessor jurídico do secretário da pasta, Benedito Braga, documento contendo sugestões a serem implantadas pelo governo para que a população sofra menos com a crise de falta de água.
As medidas propostas são: decretar imediatamente estado de calamidade pública; não ao aumento de tarifas de água e sim ao cancelamento dos descontos concedidos aos grandes consumidores (shoppings, jornais, emissoras de TV, condomínios de luxo etc.); requisitar poços artesianos para uso comum; implantar programa de cisternas e reservatórios coletivos; e elaborar plano de emergência com ampla participação popular.
O assessor jurídico se comprometeu, em nome do secretário, a dar uma resposta até sexta-feira 27. Na segunda 23 será requisitada audiência com Braga.
“A grande imprensa quer vender para a população o discurso do governador de que essas chuvas de fevereiro e março vão dar conta de resolver a falta de água, e não vão” preconiza um dos coordenadores do coletivo Edson Aparecido. “A partir do mês que vem as chuvas vão cessar e nós vamos entrar novamente no período de seca, então dificilmente vamos escapar de um rodízio de cinco dias sem água e dois dias com”, acrescenta.
Demissões
Mesmo diante da crise hídrica, a Sabesp promoveu centenas de demissões apenas em 2015, como denunciou o presidente do Sintaema, René Vivcente. “A empresa vem em uma onda de economizar para manter o lucro dos acionistas e agora ela resolveu mandar embora trabalhadores. Nós tivemos em torno de 450 demissões e isso vai afetar diretamente o serviço prestado à população. Ao invés de demitir, a Sabesp deveria contratar para melhor atender a população neste momento de crise”, avaliou.
Um desses trabalhadores demitidos é Erika Martins, que também esteve presente ao ato. “Essa crise hídrica já era anunciada desde 2004. O governo sabia, mas não fez nada porque posterga investimento para distribuir lucro para os acionistas”, afirmou a ex-funcionária que prestou serviços à Sabesp por 23 anos.
Entre 2003 e 2013 (o balanço anual da empresa relativo a 2014 ainda não foi apresentado), dos R$ 13,1 bilhões lucrados pela Sabesp com a cobrança de água da população, R$ 4,3 bi foram destinados aos acionistas, conforme relatório da diretoria econômico-financeira e de relações com investidores da Sabesp, apresentado em março de 2014.
Embora o estatuto social da Sabesp determine que os acionistas podem embolsar 25% do lucro líquido anual da empresa, a concessionária entregou, em 2003, 60,5% do total aos cofres dos sócios.
Professores
O Ato de Luta pela Água coincidiu em horário e local com a passeata dos professores do estado de São Paulo, que decidiram manter greve nesta sexta-feira 20 após assembleia no vão livre do Masp. Os docentes deram grande manifestação de apoio à causa do coletivo, até porque sofrem diariamente com a gravidade da situação.
O professor de história Ireldo Alves denunciou que na escola onde trabalha, na divisa entre Itaquera e Cidade Tiradentes, falta água sistematicamente. "Não é só água. Falta até papel higiênico. Os alunos têm que trazer de casa. Tanto a falta de água como a situação das escolas são reflexo do mesmo problema: a gestão de sucateamento do estado praticada pelo governador Geraldo Alckmin. Um professor que dá 12 aulas por semana ganha um salário mínimo por mês", desabafa.
Crise prolongada
O geólogo Delmar Mates, um dos maiores estudiosos sobre o tema, esteve presente ao ato e apontou como a principal causa da crise a mercantilização da água por meio da da privatização dos serviços de saneamento básico.
“A Sabesp, que tinha função de servir água acessível e barata para todos, transformou esse objetivo na busca a qualquer custo da lucratividade. Temos de fazer uma reflexão sobre as causas desta crise que nos estamos enfrentando, por que efetivamente ocorre a crise hídrica, quem são os responsáveis e a partir disso nós encontrarmos soluções, porque nos estamos diante de uma luta prolongada, e os efeitos da crise também serão prolongados.”
Fonte: Rodolfo Wrolli / Seeb SP
A manifestação se concentrou na praça Oswaldo Cruz e percorreu a Avenida Paulista até a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estadp de São Paulo, localizada na Rua Bela Cintra. Em frente ao prédio, uma comissão formada por integrantes do coletivo entregou a um assessor jurídico do secretário da pasta, Benedito Braga, documento contendo sugestões a serem implantadas pelo governo para que a população sofra menos com a crise de falta de água.
As medidas propostas são: decretar imediatamente estado de calamidade pública; não ao aumento de tarifas de água e sim ao cancelamento dos descontos concedidos aos grandes consumidores (shoppings, jornais, emissoras de TV, condomínios de luxo etc.); requisitar poços artesianos para uso comum; implantar programa de cisternas e reservatórios coletivos; e elaborar plano de emergência com ampla participação popular.
O assessor jurídico se comprometeu, em nome do secretário, a dar uma resposta até sexta-feira 27. Na segunda 23 será requisitada audiência com Braga.
“A grande imprensa quer vender para a população o discurso do governador de que essas chuvas de fevereiro e março vão dar conta de resolver a falta de água, e não vão” preconiza um dos coordenadores do coletivo Edson Aparecido. “A partir do mês que vem as chuvas vão cessar e nós vamos entrar novamente no período de seca, então dificilmente vamos escapar de um rodízio de cinco dias sem água e dois dias com”, acrescenta.
Demissões
Mesmo diante da crise hídrica, a Sabesp promoveu centenas de demissões apenas em 2015, como denunciou o presidente do Sintaema, René Vivcente. “A empresa vem em uma onda de economizar para manter o lucro dos acionistas e agora ela resolveu mandar embora trabalhadores. Nós tivemos em torno de 450 demissões e isso vai afetar diretamente o serviço prestado à população. Ao invés de demitir, a Sabesp deveria contratar para melhor atender a população neste momento de crise”, avaliou.
Um desses trabalhadores demitidos é Erika Martins, que também esteve presente ao ato. “Essa crise hídrica já era anunciada desde 2004. O governo sabia, mas não fez nada porque posterga investimento para distribuir lucro para os acionistas”, afirmou a ex-funcionária que prestou serviços à Sabesp por 23 anos.
Entre 2003 e 2013 (o balanço anual da empresa relativo a 2014 ainda não foi apresentado), dos R$ 13,1 bilhões lucrados pela Sabesp com a cobrança de água da população, R$ 4,3 bi foram destinados aos acionistas, conforme relatório da diretoria econômico-financeira e de relações com investidores da Sabesp, apresentado em março de 2014.
Embora o estatuto social da Sabesp determine que os acionistas podem embolsar 25% do lucro líquido anual da empresa, a concessionária entregou, em 2003, 60,5% do total aos cofres dos sócios.
Professores
O Ato de Luta pela Água coincidiu em horário e local com a passeata dos professores do estado de São Paulo, que decidiram manter greve nesta sexta-feira 20 após assembleia no vão livre do Masp. Os docentes deram grande manifestação de apoio à causa do coletivo, até porque sofrem diariamente com a gravidade da situação.
O professor de história Ireldo Alves denunciou que na escola onde trabalha, na divisa entre Itaquera e Cidade Tiradentes, falta água sistematicamente. "Não é só água. Falta até papel higiênico. Os alunos têm que trazer de casa. Tanto a falta de água como a situação das escolas são reflexo do mesmo problema: a gestão de sucateamento do estado praticada pelo governador Geraldo Alckmin. Um professor que dá 12 aulas por semana ganha um salário mínimo por mês", desabafa.
Crise prolongada
O geólogo Delmar Mates, um dos maiores estudiosos sobre o tema, esteve presente ao ato e apontou como a principal causa da crise a mercantilização da água por meio da da privatização dos serviços de saneamento básico.
“A Sabesp, que tinha função de servir água acessível e barata para todos, transformou esse objetivo na busca a qualquer custo da lucratividade. Temos de fazer uma reflexão sobre as causas desta crise que nos estamos enfrentando, por que efetivamente ocorre a crise hídrica, quem são os responsáveis e a partir disso nós encontrarmos soluções, porque nos estamos diante de uma luta prolongada, e os efeitos da crise também serão prolongados.”
Fonte: Rodolfo Wrolli / Seeb SP
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