01/12/2014
Memória Sindical homenageia Augusto Campos por sua trajetória de luta e resistência
O ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo Augusto Campos, hoje com 73 anos e aposentado, foi homenageado na noite da última quinta-feira, 27, no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista. O evento, que faz parte do projeto Memória Sindical, foi idealizado pelo escritório Crivelli Advogados Associados, que assessora o Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região em ações e processos judiciais.O homenageado Augusto Campos, oriundo do Banespa, liderou os bancários na luta por direitos em plena Ditadura Militar. Em 1978, organizou uma greve da categoria, mesmo sob o regime ditatorial no Brasil, e, no ano seguinte, venceu as eleições sindicais, tornando-se presidente do Sindicato.
Durante o evento, foi exibido um vídeo mostrando a trajetória de Augusto Campos. A cerimônia reuniu familiares, amigos e companheiros de luta do ex-presidente.
“Definir o Augusto é uma missão impossível”, disse o amigo e parceiro de luta, Luiz Azevedo, ex-dirigente do Sindicato e ex-funcionário do Banco do Brasil. “Acho que ele foi, antes de tudo, um grande educador e organizador. Quando você levava um problema pro Augusto, depois da conversa você descobria que sabia como resolvê-lo, só não sabia que já tinha a solução. Ele te levava a pensar”.
Paulo Franco, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, também esteve no evento e ressaltou a importância de se fazer este tipo de homenagem: “Augusto Campos é uma figura emblemática e um exemplo a todos nós, sindicalistas. O projeto Memória Sindical, que já homenageou, também, Luís Gushiken, é uma forma de manter viva a história da categoria”.
Luta é nacional – Com as tradicionais sandálias de couro e roupas folgadas, o homenageado citou momentos marcantes da história da categoria. “Se nosso patrão estava em todo o país, nossa luta tinha que ser nacional. Sempre acreditei e briguei por isso.” Era o início da construção de uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) válida em todo o país, o que ocorreria em 1992, apenas sete anos depois de Augusto deixar a presidência do Sindicato.
Lembrou ainda da compra da Quadra dos Bancários, sob sua gestão: “Hoje uma casa dos trabalhadores, já visitada por pessoas como Lula e Luís Carlos Prestes”. E também da fundação do PT e da CUT. “O MDB (Movimento Democrático Brasileiro, único partido de oposição na legalidade durante a ditadura) queria que fôssemos o setor sindical do partido. Achamos aquilo humilhante e começamos uma discussão geral que resultaria na fundação do PT (em 1980).”
E a Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse o bancário, surgiu da necessidade da união de classe. “Nós precisávamos nos assumir como classe trabalhadora e enfrentar os patrões como classe.”
Foi desse processo, ressaltou o diretor do Crivelli Advogados Associados, Edson Crivelli (foto à direita), que resultou a abertura política e a volta da democracia ao país. “Devemos muito a figuras como Augusto, Gushiken, Gilmar (Carneiro, também ex-presidente do Sindicato). A luta deles teve uma importância enorme na construção da sociedade brasileira”, destacou.
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