Bancários de Catanduva participam de seminário sobre igualdade racial
O presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva Paulo Franco e o secretário de finanças Roberto Carlos Vicentim, participaram, na última terça-feira, 28, de um seminário sobre igualdade racial, promovido pela Fetec-CUT/SP, em São Paulo.
O evento contou com exposições de Alessandra Devulsky, mestre em Direito Político e Econômico pela Universidade Mackenzie; Andréa Vasconcelos, diretora de Políticas Sociais da Contraf/CUT, e Rosana Aparecida da Silva, secretária de Igualdade Racial da CUT/SP.
Conforme o debate, o racismo, assim como todas as formas de preconceito, tem como pano de fundo a luta de classes, sendo um dos instrumentos das elites para manter o status quo.
Alessandra Devulsky fez um resgate histórico, abordando as origens do racismo no Brasil que, após a abolição da escravatura, simplesmente relegou os negros escravizados a extrema miséria.
De acordo com Andréia Vasconcelos, essa é uma herança que interfere em sentimentos e condutas, resultando em uma sociedade totalmente hierarquizada e dividida entre excluídos e privilegiados, inclusive em princípios que regem o próprio país, a exemplo do sistema tributário, que hoje no modelo regressivo onera quem ganha menos e beneficia quem ganha mais.
Ao reforçar o caráter institucional do racismo, Rosana Aparecida da Silva lembrou as lacunas do ensino brasileiro, favorecendo a perpetuação de uma cultura voltada ao preconceito.
Para os debatedores essa é uma situação que requer um olhar mais aprofundado dos movimentos sociais, sobretudo no atual momento em que as elites brasileiras reagem com violência, diante das políticas inclusivas adotadas pelo governo federal nos últimos 12 anos.
“Em primeiro lugar, é preciso reconhecimento das identidades e, posteriormente, políticas de distribuição para favorecer uma sociedade igualitária”, ressaltou Andréia Vasconcelos.
“Políticas públicas são fundamentais para reverter o estrago promovido pelo Estado brasileiro ao longo dos 500 anos”, defendeu Alessandra Devulsky.
Na avaliação dos participantes, as recentes eleições comprovaram a existência no Brasil de uma crise institucional motivada pelo preconceito e fortemente disseminado pela grande mídia e multiplicado pelas redes sociais.
“Para combater essa situação é preciso educação, informação e formação. Por isso a necessidade de um novo modelo educacional, que seja capaz de formar cidadãos que tenham a capacidade de questionar”, afirmou a secretária de Igualdade Racial da CUT/SP.
“O debate sobre igualdade de oportunidade não é apenas de mulheres, representantes de raça, LGBTs e trabalhadores com deficiência. É uma luta que deve ter o envolvimento de todos e durante todo o ano”, ressalta Luiz César de Freitas, o Alemão, presidente da FETEC-CUT/SP.
A diretora de Políticas Sociais da FETEC-CUT/SP, Crislaine Bertazzi, cita as exclusões e desigualdades atualmente existentes nos bancos. “50% da população brasileira é negra e mesmo assim não vemos negros nos bancos. No que diz respeito a questão de gênero, hoje metade da categoria é de mulheres e, apesar de estarem em maior peso nas universidades, elas seguem ganhando menos do que os homens. Essa diferenciação é ainda maior quando a mulher é negra. Tratam-se de desigualdades que precisam acabar. Por isso todos têm de participar desse debate”, reforça Bertazzi.
Neste mês de novembro, destancam-se atividades para reforçar a luta contra a discriminação e as desigualdades, dentre as quais seminário, a ser promovido pela CUT, nos dias 06 e 07 de novembro.
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