17/06/2014
Ambiente de trabalho é a causa principal de adoecimento dos bancários
Crédito: Seeb - PB
Seminário discute condições de saúde e trabalho na Paraíba
O Sindicato dos Bancários da Paraíba sediou nos dias 2 e 3 de junho, em João Pessoa, o 1º Seminário de Saúde do Trabalhador do Ramo Financeiro, reunindo bancários da Paraíba e Pernambuco, com a participação da Contraf-CUT.
O secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT, Walcir Previtale, conduziu o debate "Reestruturação Produtiva e a Precarização do Trabalho na Categoria Bancária". Ele enumerou vários problemas que afetam diretamente a saúde dos bancários hoje, como práticas de assédio moral, cobrança exagerada por metas abusivas, falta de segurança nas agências e o ambiente de trabalho adoecedor.
Organização do trabalho
"Existe uma competição extrema entre os empregados e uma perda gradativa dos laços de solidariedade entre os trabalhadores bancários, tudo isso fruto modelo de gestão adotado pelo sistema financeiro brasileiro", explicou o secretário da Contraf-CUT.
O seminário trilhou o caminho para indicar as melhores formas de solucionar, de forma coletiva, os problemas detectados. Os dirigentes sindicais foram unânimes em afirmar que o grande número de bancários doentes tem como principal causa o processo e a de organização do trabalho, que não valoriza a participação efetiva dos trabalhadores na sua definição e implementação. de políticas de saúde.
Várias questões nortearam o debate como: Quem define a organização do trabalho e a forma como os bancários devem trabalhar? Qual o espaço de democracia que se tem dentro dos bancos que permitem aos trabalhadores um processo de negociação e interferência na organização do trabalho? Qual outra forma de se trabalhar? Qual outro modelo de gestão?
"Não são indagações novas, entretanto são fundamentais para que as políticas de saúde do trabalhador avancem para dentro das empresas. Discutir e negociar o formato da organização do trabalho deveria ser considerado um direito humano fundamental para os trabalhadores", defende Walcir.
Metas e assédio moral
O diretor da Contraf-CUT também ressaltou que as metas abusivas, as quais figuram como drama cotidiano de toda a categoria bancária, explicam bem a questão da ausência de participação dos trabalhadores na definição do processo e organização do trabalho.
"As metas são definidas pelos bancos de cima para baixo, geralmente por um departamento de engenharia do trabalho e marketing. Os bancários são excluídos desse processo, cabendo a eles somente cumprir, a qualquer custo, o que foi estipulado por alguém que sequer conhece a realidade dos locais de trabalho. Desta forma, os empregados executarão um trabalho fragmentado, pois não participaram da sua concepção desde o início. Então, podemos afirmar que a imposição de metas abusivas possui relação direta com a organização e processo de trabalho", disse Walcir.
Os bancários relataram várias situações de desrespeito ao trabalhador dentro das agências e o objetivo dos bancos em transformar os funcionários em vendedores de produtos. Cenário que o dirigente da Contraf-CUT definiu como terreno fértil para as práticas de assédio moral.
"Apenas o resultado positivo é considerado. Não há espaço de diálogo para se colocar as dificuldades e discutir o trabalho. Prega-se o trabalho em equipe, mas a avaliação individual de desempenho é a que prevalece. E aquele trabalhador que não bateu a 'sua' meta está perdido", explicou Walcir.
Perda de função nos bancos públicos
Durante o seminário, os dirigentes sindicais também levaram para a mesa de discussão as dificuldades vividas pelos bancários doentes do Banco do Brasil e da Caixa durante o período de reabilitação profissional e na volta ao trabalho. No BB os trabalhadores estão perdendo a função após 91 dias consecutivos de afastamento.
"Esta questão apareceu com muita força nos debates. O BB entende que função é prerrogativa do banco e passa para outro funcionário as funções de quem está afastado por doença. No nosso entendimento isto é uma dupla penalização ao trabalhador, que já enfrenta problemas de saúde em função da organização do trabalho. Vamos continuar levando este debate para a Campanha Nacional deste ano para melhorar este acordo coletivo", finalizou o secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT.
Fonte: Contraf-CUT
Seminário discute condições de saúde e trabalho na ParaíbaO Sindicato dos Bancários da Paraíba sediou nos dias 2 e 3 de junho, em João Pessoa, o 1º Seminário de Saúde do Trabalhador do Ramo Financeiro, reunindo bancários da Paraíba e Pernambuco, com a participação da Contraf-CUT.
O secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT, Walcir Previtale, conduziu o debate "Reestruturação Produtiva e a Precarização do Trabalho na Categoria Bancária". Ele enumerou vários problemas que afetam diretamente a saúde dos bancários hoje, como práticas de assédio moral, cobrança exagerada por metas abusivas, falta de segurança nas agências e o ambiente de trabalho adoecedor.
Organização do trabalho
"Existe uma competição extrema entre os empregados e uma perda gradativa dos laços de solidariedade entre os trabalhadores bancários, tudo isso fruto modelo de gestão adotado pelo sistema financeiro brasileiro", explicou o secretário da Contraf-CUT.
O seminário trilhou o caminho para indicar as melhores formas de solucionar, de forma coletiva, os problemas detectados. Os dirigentes sindicais foram unânimes em afirmar que o grande número de bancários doentes tem como principal causa o processo e a de organização do trabalho, que não valoriza a participação efetiva dos trabalhadores na sua definição e implementação. de políticas de saúde.
Várias questões nortearam o debate como: Quem define a organização do trabalho e a forma como os bancários devem trabalhar? Qual o espaço de democracia que se tem dentro dos bancos que permitem aos trabalhadores um processo de negociação e interferência na organização do trabalho? Qual outra forma de se trabalhar? Qual outro modelo de gestão?
"Não são indagações novas, entretanto são fundamentais para que as políticas de saúde do trabalhador avancem para dentro das empresas. Discutir e negociar o formato da organização do trabalho deveria ser considerado um direito humano fundamental para os trabalhadores", defende Walcir.
Metas e assédio moral
O diretor da Contraf-CUT também ressaltou que as metas abusivas, as quais figuram como drama cotidiano de toda a categoria bancária, explicam bem a questão da ausência de participação dos trabalhadores na definição do processo e organização do trabalho.
"As metas são definidas pelos bancos de cima para baixo, geralmente por um departamento de engenharia do trabalho e marketing. Os bancários são excluídos desse processo, cabendo a eles somente cumprir, a qualquer custo, o que foi estipulado por alguém que sequer conhece a realidade dos locais de trabalho. Desta forma, os empregados executarão um trabalho fragmentado, pois não participaram da sua concepção desde o início. Então, podemos afirmar que a imposição de metas abusivas possui relação direta com a organização e processo de trabalho", disse Walcir.
Os bancários relataram várias situações de desrespeito ao trabalhador dentro das agências e o objetivo dos bancos em transformar os funcionários em vendedores de produtos. Cenário que o dirigente da Contraf-CUT definiu como terreno fértil para as práticas de assédio moral.
"Apenas o resultado positivo é considerado. Não há espaço de diálogo para se colocar as dificuldades e discutir o trabalho. Prega-se o trabalho em equipe, mas a avaliação individual de desempenho é a que prevalece. E aquele trabalhador que não bateu a 'sua' meta está perdido", explicou Walcir.
Perda de função nos bancos públicos
Durante o seminário, os dirigentes sindicais também levaram para a mesa de discussão as dificuldades vividas pelos bancários doentes do Banco do Brasil e da Caixa durante o período de reabilitação profissional e na volta ao trabalho. No BB os trabalhadores estão perdendo a função após 91 dias consecutivos de afastamento.
"Esta questão apareceu com muita força nos debates. O BB entende que função é prerrogativa do banco e passa para outro funcionário as funções de quem está afastado por doença. No nosso entendimento isto é uma dupla penalização ao trabalhador, que já enfrenta problemas de saúde em função da organização do trabalho. Vamos continuar levando este debate para a Campanha Nacional deste ano para melhorar este acordo coletivo", finalizou o secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT.
Fonte: Contraf-CUT
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