29/10/2013
Um banco público cada vez mais privado e estrangeiro. Bom pra quem?
A decisão anunciada pelo governo federal na última quinta-feira 24, de aumentar de 20% para 30% a participação estrangeira no capital do Banco do Brasil, só colabora para que o banco se afaste mais um pouco de seu papel de empresa pública voltada para os interesses da população brasileira.
Vender ações significa vender fatias de controle e poder de decisão sobre as políticas do banco. O governo federal detém mais de 50% do capital e teoricamente controla o BB, indica a maioria dos membros de seu Conselho de Administração e define as estratégias, investimentos e políticas do banco. Mas esse controle ficará cada vez mais ameaçado.
Com uma fatia tão expressiva de capital, os investidores estrangeiros reivindicarão a presença de seus representantes no mais alto órgão de administração do banco, como fizeram recentemente com a Petrobrás. Farão isso para defender os seus próprios interesses, e não os interesses nacionais.
É previsível que os acionistas e fundos de investimentos sediados em outros países vão cobrar cada vez mais da direção do banco o estabelecimento de políticas que objetivem somente lucro e resultado a qualquer custo. O investidor estrangeiro deseja valorizar suas ações, arrecadar dividendos cada vez maiores e transferir esse dinheiro para suas contas no exterior. Se houver investimento mais rentável em qualquer outro canto do mundo, não pensarão duas vezes em vender sua participação no BB e migrar para lá.
Não por acaso, muitos dos fundos que investem em empresas dos países em desenvolvimento como o Brasil são chamados de fundos abutres. Imitam as aves de rapina que descem das alturas, atacam e comem órgãos, músculos e proteínas, deixando somente os ossos e as carcaças queimando ao sol.
Dirão os defensores da venda do BB a estrangeiros que o capital será pulverizado e que não há como os acionistas se juntarem para controlar fatias do banco. Lembramos, em contraponto, que os abutres se juntam em bandos para atacar. Assim farão os capitalistas estrangeiros - somarão suas fatias para enfrentar o governo federal e os interesses soberanos do Brasil.
Se os estrangeiros tivessem um poder maior, o BB teria tido a atuação anticíclica de emprestar grandes volumes de dinheiro e turbinar a economia para tirar o Brasil da crise mundial de 2008? Teria puxado o movimento de redução das taxas de juros e do spread bancário, barateando o crédito para empresas e pessoas físicas, tirando milhões de clientes dos bancos privados? Ou estaria fazendo a política de alguns bancos privados, que combatem as políticas de incentivo à economia, feitas pelo governo por intermédio dos bancos públicos?
Tão relevante quanto essas questões é o inferno das relações de trabalho. O BB, que um dia foi uma boa empresa para se trabalhar, está piorando dia a dia. Os funcionários não aguentam mais tanta pressão por metas, mudança diária nas estratégias e falta de orientações claras da direção. Os trabalhadores se sentem desrespeitados diariamente. Infelizmente, o aumento da participação estrangeira tende a piorar esse quadro, pois a cobrança por metas e resultados só vai crescer, uma vez que o investidor externo sempre vai querer mais para valorizar seu capital.
Por tudo isto, a Contraf-CUT se posiciona de maneira clara contra a decisão de aumentar a participação estrangeira no capital do BB.
O Banco do Brasil é uma empresa pública e deve atender aos interesses da população brasileira e não aos interesses dos investidores estrangeiros.
A Contraf-CUT
Fonte: Contraf-CUT
Vender ações significa vender fatias de controle e poder de decisão sobre as políticas do banco. O governo federal detém mais de 50% do capital e teoricamente controla o BB, indica a maioria dos membros de seu Conselho de Administração e define as estratégias, investimentos e políticas do banco. Mas esse controle ficará cada vez mais ameaçado.
Com uma fatia tão expressiva de capital, os investidores estrangeiros reivindicarão a presença de seus representantes no mais alto órgão de administração do banco, como fizeram recentemente com a Petrobrás. Farão isso para defender os seus próprios interesses, e não os interesses nacionais.
É previsível que os acionistas e fundos de investimentos sediados em outros países vão cobrar cada vez mais da direção do banco o estabelecimento de políticas que objetivem somente lucro e resultado a qualquer custo. O investidor estrangeiro deseja valorizar suas ações, arrecadar dividendos cada vez maiores e transferir esse dinheiro para suas contas no exterior. Se houver investimento mais rentável em qualquer outro canto do mundo, não pensarão duas vezes em vender sua participação no BB e migrar para lá.
Não por acaso, muitos dos fundos que investem em empresas dos países em desenvolvimento como o Brasil são chamados de fundos abutres. Imitam as aves de rapina que descem das alturas, atacam e comem órgãos, músculos e proteínas, deixando somente os ossos e as carcaças queimando ao sol.
Dirão os defensores da venda do BB a estrangeiros que o capital será pulverizado e que não há como os acionistas se juntarem para controlar fatias do banco. Lembramos, em contraponto, que os abutres se juntam em bandos para atacar. Assim farão os capitalistas estrangeiros - somarão suas fatias para enfrentar o governo federal e os interesses soberanos do Brasil.
Se os estrangeiros tivessem um poder maior, o BB teria tido a atuação anticíclica de emprestar grandes volumes de dinheiro e turbinar a economia para tirar o Brasil da crise mundial de 2008? Teria puxado o movimento de redução das taxas de juros e do spread bancário, barateando o crédito para empresas e pessoas físicas, tirando milhões de clientes dos bancos privados? Ou estaria fazendo a política de alguns bancos privados, que combatem as políticas de incentivo à economia, feitas pelo governo por intermédio dos bancos públicos?
Tão relevante quanto essas questões é o inferno das relações de trabalho. O BB, que um dia foi uma boa empresa para se trabalhar, está piorando dia a dia. Os funcionários não aguentam mais tanta pressão por metas, mudança diária nas estratégias e falta de orientações claras da direção. Os trabalhadores se sentem desrespeitados diariamente. Infelizmente, o aumento da participação estrangeira tende a piorar esse quadro, pois a cobrança por metas e resultados só vai crescer, uma vez que o investidor externo sempre vai querer mais para valorizar seu capital.
Por tudo isto, a Contraf-CUT se posiciona de maneira clara contra a decisão de aumentar a participação estrangeira no capital do BB.
O Banco do Brasil é uma empresa pública e deve atender aos interesses da população brasileira e não aos interesses dos investidores estrangeiros.
A Contraf-CUT
Fonte: Contraf-CUT
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Em assembleia, bancários do Mercantil aprovam renovação do acordo de PLR
- Negociação da Cassi avança com proposta de aporte de R$ 2,288 bilhões
- Santander lucra R$ 9,7 bilhões, mas fecha quase 6 mil postos de trabalho
- INSS alerta para golpes que usam informação falsa sobre biometria
- Consumo de alimentos cresce após proibição das bets no país, diz Abras
- Mercantil antecipa pagamento da 13ª cesta-alimentação para esta sexta (30)
- COE Itaú cobra avanços em teletrabalho, monitoramento digital e condições de trabalho na renovação do Acordo Coletivo
- Caixa pública é patrimônio do Brasil e instrumento estratégico de desenvolvimento
- Itaú anuncia compra de startup de inteligência artificial por R$ 2,925 bilhões
- Bradesco lucra R$ 20,9 bilhões e fecha 3,2 mil postos de trabalho bancário em um ano
- Sindicato convoca bancários do Mercantil para deliberar ACT da PLR. Confira o edital
- NOTA DE PESAR: Rosângela de Farias Silva Lorenzetti
- A esperança venceu com a energia das ruas para construir o futuro
- Nota de Pesar: Sindicato dos Bancários de Catanduva e região lamenta a morte de Maria Heloísa Pereira Marcos
- "Tesouraço" de Flávio eliminaria até 2,2 milhões de empregos e impactaria PIB negativamente em 1,55%, diz Dieese