Catanduva diz "NÃO" ao presídio
Cerca de 80 pessoas reuniram-se no Sindicato dos Trabalhadores Rurais na noite de ontem para discutir a questão do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) que pode ser instalado em Catanduva.
Estiveram presentes vereadores de Catanduva, a deputada Estadual Beth Sahão (PT), o prefeito de Palmares Paulista Juninho Bugança (DEM), além de lideranças sindicais – trabalhistas e patronais, líderes religiosos e demais representantes da sociedade civil organizada. O prefeito Geraldo Vinholi (PSDB) não compareceu.
O evento teve início com a exibição de um vídeo que mostra a realidade de cidades onde foram implantados presídios, cenas exibidas na TV durante campanha eleitoral – com o prefeito se posicionando contra o presídio - e depoimento recente gravado durante coletiva de imprensa , quando o Chefe do Executivo mudou de ideia e defendeu a implantação da penitenciária.
Várias pessoas manifestaram repúdio ao presídio, entre elas, o vereador Amarildo Davoli (PT). “Esse tipo de presídio, concebido pelo PSDB, trata as pessoas de maneira desumana e não reabilita ninguém. Sou a favor de unidades carcerárias regionalizadas, em que cada sociedade arque com os problemas que gerou”, afirmou.
Além disso, o parlamentar destacou que “megaprisões” facilitam desvio de dinheiro público, quando as pessoas são mal intencionadas.
O prefeito de Palmares Paulista, Juninho Bugança (DEM), também é contrário à vinda do presídio. “O presídio traria impactos para toda a região, com aumento considerável na criminalidade. Eu sou contra, até porque Palmares seria um dos municípios mais afetados”, diz.
Já o ex-presidente do Alerta Catanduva, Nilton Cândido (PTB), declarou guerra ao prefeito em discurso exaltado. “Eu me elegi com ele, mas agora somos inimigos políticos”. Nilton também sugeriu que Vinholi provasse seu amor por Catanduva levando o presídio para Itápolis que possui maior extensão territorial.
Beth Sahão, por sua vez, voltou a falar em estelionato eleitoral e, em entrevista, criticou as recentes ações de Vinholi. “Essas ‘pseudo reuniões’ que ele tem feito são parte de um grande jogo de cena, combinado há muito tempo. Ele está querendo mostrar superficialmente que ele teria a boa vontade de ouvir a população. Não colou”.
Segundo a deputada a população catanduvense deve se unir e se mobilizar para resistir ao presídio. “A palavra de ordem é resistência”, finaliza.
Após o debate, o grupo – agora denominado “Movimento Contra o Presídio” – decidiu manifestar sua indignação por meio de uma passeata, marcada para 6 de abril (sábado) às 10h. O ponto de encontro é a Praça da Matriz de São Domingos.
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