Reajustes salariais têm melhor ano da história em 2012, aponta Dieese
Apesar do baixo crescimento do PIB, o ano de 2012 registrou o melhor momento do país em termos de reajustes salariais. De acordo com o balanço do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o ano passado teve o melhor resultado da série histórica do levantamento, iniciada em 1996, tanto seja em termos da quantidade altas acima da inflação, seja em relação ao valor médio dos aumentos reais.
Ao todo, 94,6% dos reajustes negociados ficaram acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medido pelo IBGE. Outros 4,1% ficaram igual ao índice e 1,3% ficaram abaixo do indicador. O valor médio do aumento real (já descontado da inflação) foi de 1,96%.
Os resultados de 2012 revelam que o crescimento da economia por si só não gera ganhos reais. Se fosse assim, 2010, que foi o ano de maior crescimento econômico, teriam sido melhor que o ano passado - disse José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese.
Segundo ele, neste ano as negociações salariais tendem a manter os patamares elevados de reajustes acima da inflação. O cenário de inflação sob controle, a projeção de retomada da indústria e de crescimento maior, além do baixo desemprego são principais fatores que devem manter aquecidas as negociações salariais, de acordo com Silvestre.
Não acredito em um recuo na proporção dos ganhos reais neste ano - disse.
Mesmo com a baixa atividade econômica, o setor industrial liderou a alta salarial, com 97,5% dos reajustes acima do INPC, seguida pelo comércio, com 96,4% e serviços, com 89,5%. A indústria também liderou os aumentos reais, com alta média de 2,04%, contra 2% do comércio e 1,81% dos serviços.
A região Nordeste teve a maior quantidade de reajustes acima da inflação (96,7%), seguida da região Centro-Oeste (96,1%). As duas regiões também se destacaram na média de aumento real, com 2,26% e 2,31% respectivamente. A região Sudeste teve aumentos acima da inflação para 95,1% das negociações salariais e alta média de 1,88%.
Fonte: Paulo Justus - O Globo
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