Para Contraf, manutenção da Selic em 7,25% não ajuda o Brasil a crescer
A Contraf-CUT criticou a decisão do Copom de não alterar a taxa básica de juros (Selic). "Faltou coragem para dobrar a pressão do mercado financeiro e retomar o bom caminho da redução da Selic. A manutenção da Selic em 7,25% ao ano não ajuda o Brasil a crescer", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.
"O pífio crescimento do PIB em 0,9% em 2012 requer ações do governo para romper a estagnação da economia. Uma das medidas deveria ser a redução dos juros que permanecem entre os mais altos do mundo e travam a expansão do crédito, freando a geração de empregos e o desenvolvimento econômico e social", defende o dirigente sindical.
Para o presidente da Contraf-CUT, "juros altos não estimulam o crescimento e o país necessita de políticas públicas que venham a distribuir e não concentrar renda". Ele lembra que "o Brasil ocupa a condição vergonhosa de 12º país com a pior distribuição de renda do mundo".
Cordeiro aponta também que "a redução da Selic é fundamental para forçar novas quedas dos juros e spreads dos bancos, que seguem fora dos padrões internacionais, sugando recursos que deveriam ser direcionados para investimentos em políticas sociais, indispensáveis para o crescimento da economia com distribuição de renda".
"Os bancos, enquanto concessões públicas, precisam oferecer contrapartidas para sociedade, como baratear o crédito, a fim de incentivar o emprego, a produção e o consumo para alavancar o crescimento do PIB", salienta o dirigente da Contraf-CUT.
"Os altos juros e o elevado spread dos bancos têm sido responsáveis por boa parte dos lucros bilionários, ainda que maquiados nos balanços por intermédio do truque do superdimensionamento das provisões para devedores duvidosos", alerta Carlos Cordeiro. "A inflação e a baixa inadimplência não justificam as taxas elevadas ainda hoje praticadas pelos bancos, sobretudo os privados que continuam ganhando muito e emprestando pouco", ressalta.
Cordeiro denuncia que "alguns bancos aumentaram tarifas e demitiram funcionários a pretexto de compensar a pequena queda dos juros no ano passado e melhorar a eficiência para manter a alta rentabilidade". Para ele, "banco eficiente é o que oferece crédito barato e acessível, não demite, gera empregos, presta bons serviços, age com transparência e pratica responsabilidade social".
Para o presidente da Contraf-CUT, "está mais do que na hora de o Banco Central, além das metas de inflação, definir também metas sociais, como o aumento do emprego e da renda dos trabalhadores e a redução das desigualdades sociais do país".
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