Presidente da Contraf-CUT visita Sindicato
O presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, esteve na sede do Sindicato dos Bancários no último dia 09 (quarta-feira) para promover o debate “Encontro com a Contraf”, no qual foram discutidas a conjuntura nacional e a campanha salarial da categoria bancária. Participaram do evento a presidência e a diretoria do Sindicato.
Na entrevista a seguir, ele fala sobre os atuais desafios da classe.
Informação Bancária - Está sendo realizada a campanha nacional pelo fim do imposto sindical. Com o fim da contribuição compulsória, o que deve mudar na relação entre os trabalhadores e os sindicatos?
Carlos Cordeiro - Nós, da Contraf, defendemos que o trabalhador tenha liberdade de escolha. No Brasil existem muitos sindicatos que não defendem as classes que representam. Com o fim do imposto sindical, os sindicatos não representativos tendem a ser eliminados.
Informação Bancária - De que maneira a nova política de redução de juros deve afetar a vida dos bancários?
Carlos Cordeiro -Em primeiro lugar, a nova política vai afetar a vida da sociedade, pois grande parte da renda dos trabalhadores deixará de ser transferida ao sistema financeiro. Por outro lado, vai aumentar o número de pessoas com acesso aos serviços bancários e, consequentemente, o trabalho nas instituições financeiras. Por isso, estamos lutando pela contratação de mais bancários, uma vez que o ritmo de trabalho nas agências já é bastante intenso.
Informação Bancária - Recentemente, a Caixa Econômica Federal anunciou a abertura das 500 principais agências do país na véspera do Dia das Mães. O banco também aumentou a carga horária dos funcionários nos últimos dias, alegando necessidade de informar a população sobre a nova política de crédito. Qual é o seu posicionamento a respeito?
Carlos Cordeiro -Trata-se de uma ação de marketing da Caixa que acaba reafirmando a fragilidade da própria instituição no que diz respeito ao número de funcionários. Estamos orientando nossos sindicatos a lutar contra o aumento na jornada de trabalho e exigir mais contratações.
Informação Bancária - Os bancos são as instituições que mais lucram no país, no entanto, há poucos funcionários nas agências, o que afeta o atendimento e a saúde dos bancários. De que maneira esse quadro pode ser revertido?
Carlos Cordeiro- Na verdade, o número de bancários aumentou nos últimos anos, mas é insuficiente, já que a demanda de trabalho teve um acréscimo bem maior. Por isso a população permanece insatisfeita com o atendimento, e as filas continuam longas. Nessas condições, a corrida pelo lucro gera desigualdade de tratamento; quem tem renda elevada é atendido com prioridade. Outra injustiça verificada é a substituição de funcionários antigos por novos empregados, que geram menos gastos para os bancos. Há ainda bancários que se desligam das unidades devido a problemas de saúde provenientes do cotidiano desgastante a que estão expostos. Além do respeito ao cliente e ao trabalhador, faz-se urgente que os bancos promovam o aumento no número de contratações.
Informação Bancária - Os bancos frequentemente são processados por práticas ilegais, e, mesmo após punições, continuam com condutas desastrosas. Por que isso acontece?
Carlos Cordeiro - As leis não acompanharam o avanço que houve no sistema financeiro. Existem três formas de punir os bancos, sendo advertência, multa e interdição dos estabelecimentos. Normalmente é mais oneroso para os bancos reverter irregularidades do que arcar com possíveis multas. É por isso que os bancos deixam a desejar em muitos aspectos, entre eles o assédio moral e a falta de segurança.
Informação Bancária - Qual o papel dos bancos no desenvolvimento econômico do país?
Carlos Cordeiro - O principal papel do banco é fomentar o crédito a taxas justas e financiar projetos sociais. Atualmente, o crédito no Brasil é muito inferior ao PIB, e isto deve mudar, para que haja o crescimento e o desenvolvimento do país.
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