Banco é o único que nega auxílio-educação a funcionários
Dá para imaginar uma empresa que lucrou R$ 2,7 bilhões em 2010 e não investe na formação de seus funcionários? Pois essa empresa é o Bradesco, o único entre os principais bancos brasileiros que não oferece qualquer programa de auxílio-educação para os seus funcionários.
Essa reivindicação é antiga. A única política existente é para privilegiar funcionários escolhidos de maneira pouco transparente e quase sempre do alto escalão, com bolsas para cursos de MBA caríssimos, enquanto a grande massa de trabalhadores verdadeiramente precisam de ajuda de custo para concluir o ensino superior.
"Essa é uma das maiores vergonhas do Bradesco: não investir na formação de seu próprio funcionário. Mesmo outros bancos já reconheceram a importância da educação para os negócios, mas o Bradesco insiste em uma política sem sentido que prejudica e desvaloriza o trabalhador", explica Amarildo Davoli, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região.
Em sua defesa, o banco alega que não concede o benefício porque a Fundação Bradesco supriria essa demanda. Mas a empresa esquece que a entidade não oferece cursos de ensino superior e que também não é fácil conseguir vagas para os filhos.
"Com a retomada da Campanha de Valorização dos Funcionários, estamos colocando esse item como prioritário em nossa lista de reivindicações, por um auxílio-educação para todos e processos de seleção para bolsistas justos e transparentes", afirma Davoli.
PCCS
Depois de tantas incorporações ocorridas ao longo dos anos, os funcionários do Bradesco convivem com a desorganização na estrutura de cargos e salários do banco. É comum encontrar trabalhadores exercendo a mesma função, mas recebendo salários diferentes.
E não é só isso. Os bancários também sofrem com estagnação na carreira e promoções que acontecem via processos pouco transparentes. O descontentamento é tão grande, que o Bradesco vem sofrendo a perda de trabalhadores para o mercado gradativamente.
"O Bradesco está se aproveitando dessa desorganização, para fazer o que bem entende e promover não necessariamente quem merece, mas quem a empresa quer. Com a fuga dos trabalhadores em busca de melhores oportunidades no mercado, apesar da perda de talentos, o banco sai ganhando, pois está comprovado que sai mais barato para o banco contratar um funcionário novo do que manter um antigo na casa", explica Crislaine Bertazzi, secretária de Saúde da FETEC-CUT/SP e funcionária do Bradesco.
Para modificar essa situação, a Campanha de Valorização dos Funcionários do Bradesco traz em sua pauta de reivindicações a criação de um Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) na empresa, com critérios justos e transparentes.
"A questão do emprego vai além de abrir mais postos de trabalho, mas também o de valorizar o profissional que já está empregado. E essa valorização passa por criar perspectivas claras e objetivas para o seu crescimento profissional", informa Crislaine.
Fonte: Fetec-CUT/SP
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