15/06/2026

28ª Conferência Estadual da FETEC-CUT/SP começa com chamado à mobilização em defesa da democracia, dos direitos e da soberania nacional

Em um cenário marcado pela disputa de projetos para o país, pelos desafios da Campanha Nacional dos Bancários e pela necessidade de ampliar a representação da classe trabalhadora nos espaços de poder, a FETEC-CUT/SP abriu no, último sábado (13), sua 28ª Conferência Estadual dos Bancários e Bancárias com uma mensagem clara: é hora de fortalecer a organização sindical, defender a democracia e ampliar a luta para além dos locais de trabalho.

Realizada no histórico Circolo Italiano, na capital paulista, a Conferência reúne delegados e delegadas dos 14 sindicatos que compõem a base da Federação para debater as prioridades da categoria e construir estratégias para os próximos anos.

Bancárias e bancários de Catanduva e região estiveram representados no evento pelo presidente do Sindicato, Roberto Carlos Vicentim; o secretário geral, Júlio César Trigo; os diretores Ricardo Jorge Nassar Júnior, Luiz Eduardo Campolungo, Rafael L. Vieira; Luiz Eduardo de M. Freire, Diego Moreno D. de Soares, Jardel Cristiam de P. Santos, Jane A. de Oliveira e Roberta Cristine Jorge; e pela bancária de base da Caixa Econômica Federal, Rita de Cássia C. Marino.

"A nossa unidade é um elemento essencial para avançarmos nas pautas que impactam diretamente a vida da população, da classe trabalhadora e da categoria bancária. Espaços como este ampliam nossa capacidade de diálogo para além do ambiente corporativo, permitindo a construção de novas perspectivas e o fortalecimento da atuação sindical junto à sociedade", destacou Roberto Vicentim, presidente do Sindicato.


Da esquerda para a direita: Rita de Cássia C. Marino, Luiz Eduardo Campolungo, Jane A. de Oliveria, Diego Moreno D. Soares, Roberta Cristine Jorge, Roberto Carlos Vicentim, Ricardo Jorge Nassar Júnior, Júlio César Trigo, Luiz Eduardo de M. Freire, Rafael L. Vieira e Jardel Cristiam P. Santos

A abertura, realizada pela secretária-geral da FETEC, Ana Lúcia Ramos, foi marcada pela exibição de um vídeo retrospectivo das principais ações realizadas pela federação e pelos sindicatos filiados, resgatando mobilizações, conquistas e momentos de 2025 e 2026 que reafirmam o papel do movimento sindical na defesa dos direitos da categoria e da classe trabalhadora.

Ao dar início aos trabalhos, a presidenta da entidade, Aline Molina, destacou a importância do encontro em um momento decisivo para os trabalhadores e trabalhadoras.

“Estamos diante de um ano que exige organização, consciência política e mobilização. Temos desafios na Campanha Nacional, mas também temos a responsabilidade de mudar os rumos do país e defender um projeto que coloque a classe trabalhadora no centro das decisões. É isso que esta Conferência representa”, afirmou.

Organização sindical e participação política

Representando os sindicatos do interior, a presidenta recém eleita do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região, Letícia Mariano, primeira mulher a presidir a entidade, ressaltou a necessidade de ampliar a presença das mulheres nos espaços de direção e poder, tanto na sociedade quanto no movimento sindical.

Ela destacou que a luta por igualdade de gênero continua sendo um dos desafios centrais da classe trabalhadora e destacou a importância de construir uma representação cada vez mais diversa e democrática.

“Os tempos são difíceis, mas nossa categoria tem história, organização e capacidade de luta. Precisamos construir uma campanha vitoriosa, mas também compreender que a transformação que queremos depende da eleição de representantes comprometidos com os trabalhadores e trabalhadoras”, destacou.

Enfrentamento à extrema direita

O presidente da CUT São Paulo, Raimundo Suzart, reforçou a importância da organização popular diante dos ataques sofridos pelo movimento sindical e pelas instituições democráticas nos últimos anos. Ele também destacou o papel dos bancários como referência nacional de organização sindical e lembrou que as conquistas da categoria são resultado direto da mobilização coletiva.

“Vocês abrem a campanha salarial do país e se tornam referência para todas as bases bancárias e para as demais categorias de trabalhadores do Brasil”, disse Suzart. “Se hoje temos direitos, é porque houve luta. Nada foi dado aos trabalhadores. Tudo foi conquistado com organização e enfrentamento”.

Suzart denunciou as tentativas de criminalização da atividade sindical e alertou para os riscos representados pelo avanço da extrema direita sobre direitos históricos da classe trabalhadora.

“O que está em disputa não é apenas uma eleição. Está em disputa o modelo de sociedade que queremos construir. Precisamos fortalecer a presença da classe trabalhadora nas câmaras municipais, nas prefeituras, nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional. Sem representação política, os trabalhadores ficam sem voz nos espaços onde as decisões são tomadas”, enfatizou.

Conferência como espaço de construção da luta

Para a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, as conferências estaduais são espaços fundamentais de formulação política e construção coletiva das estratégias da categoria.

“É aqui que compartilhamos experiências, avaliamos a conjuntura e construímos as respostas para os desafios que estão colocados para a categoria e para toda a classe trabalhadora”, afirmou.

Juvandia também destacou que o encontro acontece em um momento particularmente importante, marcado pela renovação da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários e pela necessidade de avançar em pautas históricas do movimento sindical.

“Estamos vivendo um período de definição de futuro. A luta pela redução da jornada, pela valorização do trabalho e pela ampliação dos direitos está colocada. E só vamos avançar se estivermos unidos, organizados e mobilizados”, declarou.

Contra o desmonte dos direitos e dos serviços públicos

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, chamou atenção para a necessidade de renovar as energias da categoria para enfrentar os desafios do próximo período.

Neiva destacou a disputa entre projetos que atacam os trabalhadores, enfraquecem a soberania nacional e colocam os interesses do mercado acima das necessidades da população. Ela também criticou a postura dos bancos diante dos avanços tecnológicos, denunciando o fechamento de agências, a eliminação de postos de trabalho e a utilização da tecnologia para ampliar lucros, em vez de melhorar as condições de vida e trabalho.

“Não aceitamos que a inovação tecnológica seja usada para justificar demissões, sobrecarga e exclusão. A tecnologia precisa estar a serviço das pessoas, e não apenas dos resultados dos bancos”, afirmou.

A dirigente denunciou, ainda, a ofensiva do Santander contra o movimento sindical, citando ações da instituição para tentar impedir manifestações legítimas em defesa dos empregos e do atendimento à população; e o governo Tarcísio de Freitas por desmontar políticas públicas e atacar direitos, especialmente os voltados às mulheres.

Fortalecer a luta para salvar a democracia e defender a soberania

Encerrando a mesa de abertura, Aline Molina reforçou que os desafios colocados para a categoria ultrapassam as reivindicações específicas dos bancários e estão diretamente ligados à disputa de projetos em curso no Brasil e no mundo.

A dirigente alertou para o avanço da extrema direita em diversos países, citando os ataques promovidos pelo governo de Donald Trump contra direitos sociais, a soberania dos povos e as instituições democráticas. Segundo ela, a ofensiva internacional do capital financeiro e dos setores ultraconservadores também tem reflexos no Brasil, onde interesses econômicos e geopolíticos tentam enfraquecer instrumentos estratégicos de desenvolvimento nacional.

“O ataque ao Pix não é apenas um ataque a um sistema de pagamentos. É um ataque a uma tecnologia pública brasileira que democratizou o acesso aos serviços financeiros, reduziu custos para a população e mostrou que o Estado pode produzir soluções eficientes para o povo. Quando atacam o Pix, atacam também a soberania nacional e a capacidade do Brasil de construir alternativas aos interesses das grandes corporações financeiras internacionais”, afirmou.

Aline destacou ainda que a extrema direita atua globalmente para enfraquecer sindicatos, retirar direitos, privatizar serviços públicos e concentrar ainda mais riqueza nas mãos do mercado financeiro. Para ela, o movimento sindical precisa estar preparado para enfrentar essa disputa.

“Temos pela frente uma tarefa histórica. Precisamos defender a democracia, mas uma democracia que sirva à classe trabalhadora. Não basta defender as instituições; é preciso defender emprego, salário, direitos, soberania nacional e justiça social. O mesmo projeto que fecha agências, elimina empregos e precariza o trabalho é o projeto que tenta enfraquecer o Estado, atacar a organização sindical e entregar as riquezas do país. Nossa resposta precisa ser organização, mobilização e luta”, concluiu a presidenta da FETEC-CUT/SP.
 
Fonte: Fetec-CUT/SP, com edição de Seeb Catanduva

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