16/08/2021

Inflação pelo IPCA sobe 0,96% em julho; INPC acelera para 1,02%

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que computa o reajuste nos preços para as famílias com renda entre um e 40 salários-mínimos, subiu 0,96% em julho, o maior resultado para o mês desde 2002, quando a alta foi de 1,19%. Os dados foram divulgados dia 10 passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No ano, o indicador acumula alta de 4,76% e, em 12 meses, 8,99%, ficando acima do registrado nos 12 meses imediatamente anteriores (8,35%). É a maior taxa desde maio de 2016, quando o IPCA ficou em 9,32% em 12 meses. Em julho do ano passado, a taxa mensal foi de 0,36% e, em junho de 2021, de 0,53%.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Roberto Vicentim, destaca que o Acordo Coletivo de dois anos dos bancários foi uma decisão acertada e protege a categoria de perda real nos salários, neste momento de incertezas. O diregente alerta, entretanto, que as negociações estão cada vez mais difíceis e os ataques incessantes do governo por meio de medidas que flexibilizam os direitos da classe trabalhadora revelam a persistência de um quadro desfavorável. 

"Com reajustes menores do que os índices da inflação, trabalhadores amargam queda de rendimentos enquanto enfrentam os maiores preços dos últimos 25 anos. Categoria bancária, no entanto, é uma das poucas que conseguiram reajustes salariais acima da inflação, graças a atuação dos sindicatos que negociaram o ACT 2020/2022. Diante de tantas ameaças, manter a união e organização é fundamental para resistir na luta. Sem mobilização não haverá conquistas!", ressaltou Vicentim.

Segundo análise feita pelo Dieese, 60% dos reajustes salariais de abril ficaram abaixo de 6,94%, como resultado da inflação acumulada em 12 meses. Com isso, ao conquistar 0,5% de aumento real, a categoria bancária figura entre 17% das que tiveram reajuste acima do índice inflacionário, o que confirma a decisão acertada pelo acordo de dois anos.

Para este ano os bancários vão receber a reposição do INPC acumulado (de 1º de setembro de 2020 a 31 de agosto de 2021) e o aumento real de 0,5% nos salários e demais verbas, tais como os vales alimentação e refeição e os valores fixos e tetos da PLR.

Energia e transportes - Segundo o IBGE, oito dos nove grupos pesquisados apresentaram alta no mês, com o maior impacto vindo do aumento de 3,10% na habitação, grupo pressionado pela alta de 7,88% na energia elétrica. Por região, o reajuste tarifário da energia elétrica foi de 11,38% em São Paulo, 8,97% em Curitiba e 9,08% em uma das concessionárias de Porto Alegre. Em 12 meses, a energia elétrica acumula reajuste de 20,09%.

Além dos reajustes nos preços das tarifas em algumas áreas de abrangência do índice, houve o aumento de 52% no valor adicional da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em todo o País. Antes, o acréscimo nessa bandeira era de, aproximadamente, R$ 6,24 a cada 100kWh consumidos e, a partir de julho, esse acréscimo passou a ser de R$ 9,49.

No grupo dos transportes o aumento foi de 1,52%, puxado pelas passagens aéreas, que aumentaram 35,22% depois da queda de 5,57% em junho. O transporte por aplicativo passou de -0,95% para 9,31% de um mês para o outro e o aluguel de veículo foi de 3,99% em junho para 9,34% em julho.
Já os combustíveis aceleraram 1,24% em julho, depois de subirem 0,87% em junho. A gasolina teve alta de 1,55% no mês e acumula nada menos do que um reajuste de 39,65% em 12 meses. O etanol caiu 0,75% no mês, mas teve aumento de 57,27% em 12 meses. O óleo diesel subiu 0,96% no mês e 36,35% em 12 meses.

Alimentos e bebidas - O grupo alimentos e bebidas subiu 0,60%, acima da taxa de junho (0,43%). O item alimentação no domicílio passou de 0,33% em junho para 0,78% em julho, puxado pela alta do tomate (18,65%), do frango em pedaços (4,28%), do leite longa vida (3,71%) e das carnes (0,77%). As quedas no mês foram verificadas no preço da cebola (-13,51%), batata-inglesa (-12,03%) e arroz (-2,35%).

O acumulado em 12 meses ficou em 42,96% para o tomate, 34,28% nas carnes, 21,88% no frango em pedaços e 11,29% para o leite longa vida. A cebola teve queda de 40,38% em 12 meses e a batata-inglesa diminuiu 19,71%. O arroz, apesar da queda no mês, tem alta de 39,69% em 12 meses. Segundo Almeida, vários fatores contribuíram para a alta da inflação.

O único grupo que teve queda nos preços em julho foi o de saúde e cuidados pessoais. Ficou 0,65% mais barato com a redução dos preços dos planos de saúde (-1,36%), após a autorização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) do reajuste negativo de -8,19%, justificada pela diminuição da utilização de serviços de saúde suplementar durante a pandemia.

Por região, entre as 16 capitais pesquisadas, o maior índice foi anotado em Curitiba (1,60%) e o menor resultado foi o de Aracaju (0,53%).

INPC acelera 1,02% - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para as famílias com rendimentos de um a cinco salários-mínimos, acelerou para 1,02% em julho, após a alta de 0,60% em junho. A alta acumulada em 12 meses é de 9,85%, acima dos 9,22% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em julho do ano passado, o indicador ficou em 0,44%. O acumulado de 12 anos no INPC vem numa curva crescente desde julho de 2020, quando a taxa acumulada estava em 2,69%.
Fonte: Agência Brasil, com edição de Seeb Catanduva

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