12/08/2021
Jovens bancários, precisamos falar sobre meritocracia nas instituições financeiras!

Não é de hoje que os bancos têm empurrado para os bancários a ideia ilusória de meritocracia como método para promover e destacar os “melhores funcionários”. A mesma lógica é usada, entretanto, para perseguir, assediar e demitir trabalhadores sem justa causa quando estes atingem determinado patamar salarial. Neste Dia Mundial da Juventude, comemorado em 12 de agosto, o Sindicato lembra que esta ideia torta é usada para cooptar jovens trabalhadores que, mais tarde, serão descartados pelo mesmo sistema.
Neologismo híbrido – formado pelo latim mereo (merecer) e pelo grego kratía (poder) –, o método estabelece uma relação direta entre mérito e poder. Todavia, o mito da meritocracia gera inúmeros problemas de discriminação, exclusão, falta de transparência e a distorção de seu conceito. O que se percebe, nos bancos, é um modelo de gestão dúbio, contraditório, excludente, ineficiente e que, ao invés de estimular os trabalhadores, adoece, humilha e demite.
O Sindicato historicamente afirma que a meritocracia tem sido utilizada como mecanismo de exclusão, que estimula um ambiente doentio de disputa individual e não de colaboração coletiva. Todos deveriam ser valorizados, mas isso só acontece com alguns. Os jovens bancários precisam de garantia de emprego e qualidade nas relações com os bancos, o que inclui plano de cargos e salários com critérios claros e transparência, negociação coletiva efetiva, planos médicos com preço justo e respeito à diversidade, entre outros pontos.
Atingir uma meta de alavancar negócios em um país em crise, no qual bancos praticam taxas e tarifas abusivas, não se trata apenas de esforço pessoal e individual dos trabalhadores. Aspectos e situações externas, fatores na maioria das vezes fora do controle do trabalhador, interferem no alcance ou não da meta. Não atingir o objetivo, portanto, não significa que o bancário 'não se esforçou' o suficiente.
As instituições financeiras fingem conceder vantagens para uma parte de seus funcionários utilizando a meritocracia e, ao mesmo tempo, promovem cortes usando como critério, via de regra, os altos salários. Esses trabalhadores sequer são informados do motivo da sua demissão. Que meritocracia é esta que penaliza e persegue quem se destaca?
Quem se organiza, luta!
O Sindicato aproveita o Dia Mundial da Juventude e o debate sobre meritocracia para lembrar que um sindicato forte e que conta com a participação dos trabalhadores, principalmente dos mais jovens, tem condições de lutar contra os retrocessos e os ataques.
"O Sindicato tem um histórico de luta e organização que se mantém ao longo da história. É a entidade quem tem força para fazer a negociação coletiva, enquanto categoria, em contraponto a ideia individualista da meritocracia. As categorias mais organizadas têm mais condições de fazer estes debates. As conquistas salariais, a luta por melhores condições de trabalho, a saúde do trabalhador, a informação para o bancário e a formação do mesmo são constantes no cotidiano da instituição. Nossa história é peça importante também na história da comunidade, na luta para que haja um mundo melhor para todos, com justiça e igualdade social e cidadania plena. Faça parte de uma entidade que luta pelo direito de todos!", acrescenta o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Roberto Vicentim.
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