27/04/2021
Dia Nacional de Luta: empregados da Caixa Econômica são destaque em todo o Brasil

“O dia do basta foi um sucesso. O nosso recado foi dado e ouvido por todos. Basta do desmonte da Caixa, da falta de empregados, da precarização na proteção contra a Covid-19, da falta de vacinas, do assédio moral, do desrespeito ao negociado, à jornada e da sobrecarga de trabalho, entre tantas práticas da Caixa que desrespeitam dos trabalhadores”, declarou Fabiana Uehara Proscholdt, coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa e secretária da Cultura da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
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Antes mesmo do dia começar, a Caixa ingressou, na noite de segunda-feira (26), com um pedido de tutela cautelar alegando que a paralisação dos empregados é abusiva, com cunho político e ideológico. No entanto, o juiz do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maurício José Godinho, indeferiu o pedido da Caixa e determinou que apenas os serviços de compensação bancária e o pagamento do auxílio emergencial devem ser realizados, garantindo o direito de greve de 40% dos trabalhadores.
“A Contraf-CUT acatou a determinação do Tribunal Superior do Trabalho. A direção da Caixa e o governo Bolsonaro tentam fragilizar o banco, que é público, além de não cumprir o acordo coletivo. Estão entregando ao mercado financeiro o setor mais estratégico, responsável por 45% do lucro do banco. Tentaram impedir a manifestação dos funcionários e acabaram dando um tiro no próprio pé, pois a decisão da Justiça reconheceu a legalidade da greve e que cumprimos a formalidade para fazer a paralisação. Acabou divulgando ainda mais nossa luta, que é justa”, afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT.
O Dia do Basta, como foi batizado pela categoria, é uma resposta aos ataques que a instituição e seus trabalhadores vêm sofrendo do governo Bolsonaro. Um desses ataques é a abertura de capital da Caixa Seguridade, na quinta-feira (29). Os recursos obtidos com a venda da Caixa Seguridade serão devolvidos ao Tesouro Nacional, por meio dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCDs).
Na base do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, diretores da entidade anexaram cartazes nas agências e realizaram reuniões com os bancários e clientes, denunciando os prejuízos da venda de áreas estratégicas da empresa e reforçando a importância de somar forças para barrar os ataques contra o banco e seus empregados. A ação também reforçou à direção e ao governo que o movimento sindical está atento e irá resistir ao projeto de desmonte. (Leia mais sobre a mobilização dos bancários de Catanduva e região AQUI.)
PLR Social a menor
Outro motivo da mobilização é o pagamento a menor da PLR Social, sem comunicar os empregados. A Caixa fez o pagamento com base na divisão linear entre todos os empregados de apenas 3% do lucro líquido, e não de 4%, como determina o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) vigente. A mudança no cálculo foi identificada pelo Departamento Intersindical de Estatística Estudos e Socioeconômicos (Dieese). Desde a concepção da PLR Social, em 2010, são distribuídos 4%. “A PLR Social é uma conquista dos empregados justamente pelo serviço social que o banco realiza e que não tem como ser mensurado como ganho quando se compara com os outros bancos. Os empregados atenderam mais da metade da população brasileira, não tem justificativa a direção da Caixa rebaixar o valor que é mais do que devido pelo trabalho realizado”, lembrou a coordenadora da CEE/Caixa.
O estado de greve e o indicativo de paralisação também foram deflagrados, na semana passada, para cobrar melhores condições de trabalho e de atendimento à população, por meio de mais contratações, proteção contra a Covid-19 e vacinação prioritária para os empregados do banco. “Existem aglomerações nas agências e a vacinação é uma questão sanitária. Além disso, o serviço bancário é um serviço essencial que não parou desde o começo da pandemia”, lembrou Fabiana.
Para se protegerem e evitar o contágio de clientes, os empregados pedem que a direção da Caixa negocie com o Governo Federal a prioridade no Plano Nacional de Imunização. “Os empregados da Caixa são os que mais sofrem risco de contaminação pelo novo coronavírus, porque é o único banco que realiza o pagamento do Auxílio Emergencial, além de todas as outras políticas públicas e emergenciais que ajudam a população a enfrentar a crise”, lembrou Edson Heemann, membro da CEE/Caixa.
Para piorar, enquanto na maioria dos outros bancos a vacinação contra a H1N1 já começou, a Caixa sequer informou quando começa a vacinação de seus empregados. “Nas lives em que participa, o presidente Pedro Guimarães gosta de enfatizar que valoriza os empregados da Caixa. Então essa é uma boa hora para sair do discurso e colocar em prática não só a valorização, mas o respeito aos empregados que atuam na linha de frente desde o início dessa pandemia”, completou Heemann.
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