26/02/2021
Empregador deve ser responsável pela saúde dos funcionários mesmo em teletrabalho
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Há 21 anos, o dia 28 de fevereiro marca o Dia Internacional do Combate às Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort). E a cada ano que passa, os índices de adoecimento pela repetição de movimentos, fatores psicológicos e sobrecarga parecem aumentar. A categoria bancária, como não poderia deixar de ser, é uma das mais afetadas por este mal.
Desde que a data foi criada para ajudar na conscientização de empregadores e na prevenção destas doenças, a tecnologia avançou muito – o que não garantiu a redução das lesões. A nova realidade que a pandemia impôs onde muitos trabalhadores que se enquadram no grupo de risco estão atuando em home office, a situação pode até mesmo ser agravada pela falta de estrutura adequada para o trabalho. E esta estrutura deveria ser de responsabilidade da empresa, provendo as condições necessárias para o trabalho remoto, além de informar sobre ergonomia.
A ausência de cadeira adequada pode, por si só, prejudicar a postura. O ideal é que a cadeira tenha apoio para a região lombar e dorsal, e que, por exemplo, os braços estejam apoiados a 90 graus na mesa. O monitor deve estar abaixo no eixo visual com distância de um braço, para não haver contração na postura. É preciso dar atenção também a detalhes como luminosidade da tela e tentar fazer pequenas pausas sempre que for possível para se movimentar e alongar – mesmo em casa.
O assunto é debatido e reivindicado pelo Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, e demais entidades sindicais nacionais e internacionais, como a UNI Global Union. Em conferência no último dia 23 de fevereiro, a presidenta da UNI Finanças Mundial, Rita Berlofa, destacou os princípios que devem ser considerados em qualquer contrato de teletrabalho, e entre eles está a responsabilização dos empregadores pela saúde, segurança e fornecimento dos equipamentos necessários aos trabalhadores.
“O trabalho remoto, adotado em ritmo mais acelerado hoje no Brasil e no mundo e uma tendência que se manterá mesmo depois da pandemia, não pode de maneira alguma ser usado pelos empregadores como uma forma de substituir contratos de trabalho por formas mais precárias”, afirma Rita.
“Muitos trabalhadores têm sérias complicações de saúde decorrentes das LER/Dort, e isso ocorre por falta de prevenção, que deve ser tida como prioridade. Esta deve ser tanto nas questões de ergonomia física, cognitiva ou organizacional. Além disso, é fundamental que existam políticas nacionais de prevenção”, destaca Roberto Carlos Vicentim, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região.
"A data é importante para resgatarmos o debate a fim de desmistificar a falsa crença de que essas doenças estão superadas nos locais de trabalho do país e de todo o mundo – isso só interessa aos patrões – , alertando os trabalhadores de que é preciso permanecer vigilantes, denunciando sempre ao Sindicato as condições inadequadas e as pressões por produtividade, para que juntos possamos exigir das empresas melhorias nos ambientes e revisão dos processos de trabalho", acrescenta Vicentim.
Vários fatores influenciam casos
Segundo dados do INSS, a categoria bancária adoece 150% vezes a mais que a população em geral em relação às LER/DORT. Entre 2012 e 2017, 24.514 afastaram-se por doenças relacionadas ao trabalho. Destes, 12.678 afastaram-se por tendinites, bursites ou lesões no túnel do Carpo, consideradas LER/DORT, o que representa 51,71% do total.
O adoecimento está também ligado à cobrança abusiva de metas e pressão dos trabalhadores por desempenho, principalmente neste momento em que muitos bancários em teletrabalho não têm seus horários respeitados. O fechamento de agências, de postos de trabalho, e a sobrecarga nos trabalhadores que ficam têm um peso enorme nos alarmantes números de casos. A saúde mental também está em jogo: junto às doenças ocupacionais, aumentam relatos de depressão, ansiedade, e crises de pânico.
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