27/01/2021
Entidades representativas reafirmam cobrança por contratação imediata na Caixa Federal
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Na sexta-feira da semana passada (22), durante visita a João Pessoa (PB), o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, anunciou que o banco irá contratar mais 500 empregados em 51 cidades onde pretende abrir novas unidades. Segundo o gestor, que a cada dia adota iniciativas coladas à agenda de privatização da equipe econômica do governo Bolsonaro, a exemplo da criação do banco digital, o projeto em estudo é instalar novas agências em todos os bairros do país com população superior a 40 mil habitantes.
A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), Fabiana Uehara Proscholdt, reitera que, em mesa de negociação com os representantes do banco, a CEE/Caixa, junto com a Fenae e a Contraf/CUT, representando o Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, vem cobrando a imediata contratação de empregados para permitir melhores condições de trabalho aos trabalhadores e, claro, melhor atendimento para a população. “O que temos cobrado da Caixa é o respeito aos seus empregados, que têm vivido no dia a dia das unidades um alto nível de carga de trabalho, com condições precárias e submetidos à pressão constante para obtenção de resultados através de metas desumanas”, denuncia. Ela lembra que esse quadro se mostra em âmbito nacional e tem sido a tônica da gestão Pedro Guimarães.
Segundo Fabiana Proscholdt, o trabalho excepcional dos trabalhadores durante a pandemia, com o pagamento do auxílio emergencial e de outros benefícios sociais, vem sobrecarregando o corpo funcional do banco público. “São jornadas extenuantes, metas desumanas e um déficit de 20 mil postos de trabalho. Tudo isso reflete no atendimento à população”, argumenta.
A demanda para aumentar o contingente de trabalhadores do banco é uma reivindicação histórica das entidades representativas. “Os empregados estão mais sobrecarregados e adoecidos a cada dia. Não adianta contratar 500 novos trabalhadores para unidades que serão pretensamente abertas e forçar a saída de mais de 10 mil bancários com planos de demissão e aposentadoria”, critica Sergio Takemoto, presidente da Fenae.
Ele acrescenta: “Precisamos de mais empregados urgente. A Caixa perdeu quase 20 mil trabalhadores nos últimos 10 anos e não houve reposição de vagas até o momento. Então esse número ainda é muito pouco para suprir a carência de pessoal nas unidades de todo o país”.
Nesta pandemia, ficou evidente a importância do banco público para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Mesmo assim, segundo ele, a Caixa desrespeita os empregados, que sozinhos atenderam mais da metade da população brasileira. “A falta de trabalhadores agrava não só a jornada diária dos bancários, mas compromete a qualidade de assistência à sociedade”, declara.
A Caixa encerrou 2014 com pouco mais de 101 mil empregados. Naquele ano, no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2014/2015, a direção do banco se comprometeu a realizar mais 2 mil contratações, o que elevaria o total para além dos 103 mil. De lá para cá, porém, mais de 19 mil deixaram a empresa, principalmente por meio dos planos de desligamentos “voluntários”. Não se sabe ao certo quantas contratações foram feitas, mas dos mais de 30 mil aprovados no último concurso público, menos de 10% foram convocados. Hoje, o contingente chega a aproximadamente 84.320 empregados.
Para a coordenadora da CEE/Caixa, como a redução gradativa do número de empregados tem deixado a categoria mais sobrecarregada e doente, não dá para permitir ações da direção do banco que visam enfraquecer a empresa e os trabalhadores. “O que está em jogo é a Caixa 100% pública e os direitos dos empregados”, conclui Fabiana Proscholdt.
O diretor do Sindicato, Antônio Júlio Gonçalves Neto, acrescenta que a redução no número de empregados faz parte de uma estratégia delineada pelo governo privatista de Bolsonaro para colocar em ação seu plano de desmantelamento do patrimônio nacional, que inclui a Caixa Econômica Federal e demais bancos públicos. Ele alerta que, se não houver uma forte mobilização por parte dos trabalhadores e sociedade junto às entidades de representação, todos sofrerão os prejuízos.
"O governo subtrai trabalhadores visando precarizar o atendimento à população e vender o banco público ao capital privado, com a justificativa de sua ineficiência. Com a pandemia, vimos exatamente o contrário ocorrer. A Caixa se mostrou mais fundamental do que nunca ao atender milhares de brasileiros e promover o pagamento do auxílio emergencial e demais benefícios que garantiram a sobrevicência de uma parcela signitiva da população. Graças a dedicação dos empregados, que mesmo exauridos e amedrontados pelo risco de contaminação do Covid-19 permaneceram na linha de frente, não faltou atendimento a nenhum cidadão. Esses mesmos trabalhadores deveriam ser valorizados e reconhecidos pelo governo e pela direção do banco com melhores condições de trabalho e mais contratações. Sem a Caixa pública, perdem os empregados, perdem os clientes e perde a população!", acrescenta Tony.
Para lutar por mais contratações e menos filas, o Sindicato se uniu à Fenae e a Contraf/CUT em um trabalho de coleta de adesões a um abaixo-assinado, cujo objetivo é reivindicar a recomposição do quadro de empregados, que tem caído anualmente. A iniciativa foi adotada com base no entendimento de que, sem investimentos, o banco lida com a precarização dos atendimentos à população, enquanto, para os trabalhadores, o resultado é cansaço e adoecimento.
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