15/01/2021
Exclusão bancária: Desmonte do Banco do Brasil vai precarizar atendimento à população
O Banco do Brasil anunciou na segunda-feira (11) que pretende demitir 5 mil funcionários até o início de fevereiro e desativar 361 unidades, entre as quais 112 agências e 242 postos de atendimento. Além do ataque aos direitos dos trabalhadores, que estão sendo removidos dos seus pontos, com comissões reduzidas, esse desmonte também deve afetar o atendimento à população.
Em entrevista ao Jornal Brasil Atual, nesta quarta-feira (13/01), o coordenador nacional da CEBB (Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil), João Fukunaga, diz que o banco se utiliza do crescimento do atendimento digital para justificar o fechamento das agências. Contudo, nem todos têm acesso aos meios virtuais.
De um lado, esse fechamento pode abrir espaço para a atuação de bancos privados, que cobram tarifas mais elevadas e juros mais altos. Por outro, há regiões onde não há interesse da iniciativa privada em manter o atendimento. Os principais prejudicados, segundo Fukunaga, serão os agricultores familiares, micro e pequenos empresários, idosos e correntistas de baixa renda.
“Estamos no meio de uma pandemia. É óbvio que o atendimento digital vai aumentar. Mas, mesmo assim, é possível perceber a quantidade de pessoas buscando atendimento nas agências, principalmente aquelas que têm acima de 60 anos. Essas pessoas não têm familiaridade com o banco digital”, criticou.
Da mesma forma, a população carente também tem dificuldade em acessar essas ferramentas. “Para acessar o aplicativo, é preciso ter acesso a internet. Normalmente essas pessoas têm celulares que são pré-pagos, o que dificulta. O banco não vai atender essa pessoa pelos canais digitais, não vai atender nas agências tradicionais. Vão fazer o quê? Perder esses clientes?”, questionou.
Crédito
O representante dos funcionários destacou que o BB responde por cerca de 55% do crédito agrícola voltado para a agricultura familiar. Nesse processo de “reestruturação”, a instituição anunciou a abertura de 14 “escritórios agro”. Mas são unidades voltadas para atender ao agronegócio, e não aos pequenos produtores.
“Se o banco está fechando unidades comerciais normais, entende-se que a agricultura familiar vai ter dificuldade de acessar esse crédito. Já o agronegócio é voltado para a exportação, e não traz o alimento para as nossas mesas. É terrível essa segmentação que o banco está fazendo, e uma falta de respeito com a população”.
Além disso, Fukunaga também destacou que, durante a pandemia, o Banco do Brasil atendeu a mais de 110 mil micro e pequenas empresas. Os recursos emprestados através do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) somaram R$ 6,9 bilhões.
Balanço
Além do prejuízo ao público, o dirigente afirma que os cortes também não se justificam, considerando o balanço financeiro da instituição. Em 2020, por exemplo, o banco registrou lucro líquido de R$ 17 bilhões, com crescimento de 122% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, a base de clientes também cresceu, atingindo a marca de 73 milhões. Contudo, nos últimos cinco anos, entre o início de 2016 e setembro de 2020, o BB já eliminou mais de 17 mil postos de trabalho, fechando 1.058 agências.
Assista à entrevista
Em entrevista ao Jornal Brasil Atual, nesta quarta-feira (13/01), o coordenador nacional da CEBB (Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil), João Fukunaga, diz que o banco se utiliza do crescimento do atendimento digital para justificar o fechamento das agências. Contudo, nem todos têm acesso aos meios virtuais.
De um lado, esse fechamento pode abrir espaço para a atuação de bancos privados, que cobram tarifas mais elevadas e juros mais altos. Por outro, há regiões onde não há interesse da iniciativa privada em manter o atendimento. Os principais prejudicados, segundo Fukunaga, serão os agricultores familiares, micro e pequenos empresários, idosos e correntistas de baixa renda.
“Estamos no meio de uma pandemia. É óbvio que o atendimento digital vai aumentar. Mas, mesmo assim, é possível perceber a quantidade de pessoas buscando atendimento nas agências, principalmente aquelas que têm acima de 60 anos. Essas pessoas não têm familiaridade com o banco digital”, criticou.
Da mesma forma, a população carente também tem dificuldade em acessar essas ferramentas. “Para acessar o aplicativo, é preciso ter acesso a internet. Normalmente essas pessoas têm celulares que são pré-pagos, o que dificulta. O banco não vai atender essa pessoa pelos canais digitais, não vai atender nas agências tradicionais. Vão fazer o quê? Perder esses clientes?”, questionou.
Crédito
O representante dos funcionários destacou que o BB responde por cerca de 55% do crédito agrícola voltado para a agricultura familiar. Nesse processo de “reestruturação”, a instituição anunciou a abertura de 14 “escritórios agro”. Mas são unidades voltadas para atender ao agronegócio, e não aos pequenos produtores.
“Se o banco está fechando unidades comerciais normais, entende-se que a agricultura familiar vai ter dificuldade de acessar esse crédito. Já o agronegócio é voltado para a exportação, e não traz o alimento para as nossas mesas. É terrível essa segmentação que o banco está fazendo, e uma falta de respeito com a população”.
Além disso, Fukunaga também destacou que, durante a pandemia, o Banco do Brasil atendeu a mais de 110 mil micro e pequenas empresas. Os recursos emprestados através do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) somaram R$ 6,9 bilhões.
Balanço
Além do prejuízo ao público, o dirigente afirma que os cortes também não se justificam, considerando o balanço financeiro da instituição. Em 2020, por exemplo, o banco registrou lucro líquido de R$ 17 bilhões, com crescimento de 122% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, a base de clientes também cresceu, atingindo a marca de 73 milhões. Contudo, nos últimos cinco anos, entre o início de 2016 e setembro de 2020, o BB já eliminou mais de 17 mil postos de trabalho, fechando 1.058 agências.
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