04/01/2021
Bancos fecham quase 80 mil postos de trabalho no país em menos de dez anos

Fila em agência da Caixa Econômica Federal na avenida Paulista, em SP, para retirar auxílio emergencial
(Foto Roberto Parizotti/FotosPublicas)
Entre janeiro de 2013 e outubro de 2020, os bancos no Brasil fecharam 78.155 postos de trabalho. Nesse período, foram registradas 303,7 mil demissões e 225,5 mil contratações de funcionários.
Esses números foram apurados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), com base nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia.
Em todos os anos entre 2013 e 2020, o saldo de empregos foi negativo no setor. Segundo o levantamento do Dieese, publicado pela Folha de São Paulo, o ano que teve mais vagas fechadas foi 2016: foram 20,6 mil desligamentos a mais do que contratações.
Entrevistada pela Folha, a técnica do Dieese Bárbara Vallejos apontou a transformação tecnológica e digital como principal fator que tem levado ao enxugamento da estrutura nas instituições financeiras.
“É como se o setor tivesse constituído uma nova forma de fazer negócio, com um modelo mais enxuto e visando a redução de despesas”, afirmou.
Além das dispensas sem justa causa e dos pedidos de demissão, há ainda o caso da Caixa Econômica Federal, que em novembro abriu um Programa de Demissões Voluntárias (PDV). A intenção é enxugar seu quadro de funcionários em cerca de 10%.
“É preocupante o desligamento desses trabalhadores sem uma indicação do banco para a contratação de novos empregados”, ressalta o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto.
“Além de piorar as condições de trabalho, a falta de bancários pode prejudicar o atendimento à população; especialmente, neste momento de pandemia”, disse Takemoto.
Até o encerramento do último PDV, no último dia 20 de novembro, o déficit no quadro de pessoal da Caixa já superava 17 mil profissionais, de acordo com a Fenae.
Compromisso quebrado
No início da pandemia do novo coronavírus, os bancos firmaram um compromisso com sindicatos dos bancários de não demitirem funcionários na emergência sanitária. No entanto, o acordo não foi cumprido.
O levantamento do Dieese também revela isso. Nos primeiros dez meses de 2020, o saldo negativo no setor é de 8.086 vagas. E o mês com o pior saldo neste ano foi outubro, quando 5,6 mil postos de trabalho foram fechados, entre admissões e desligamentos.
Contra essa situação, o Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, junto às demais entidades de representação da categoria, promoveu manifestações virtuais e atos públicos em frente às agências de sua base. Foi uma forma de pressionar os bancos e denunciar a população a exploração dos trabalhadores e dos próprios clientes, que pagam altas tarifas por um atendimento cada vez mais precarizado.
O último tuitaço foi no dia 18 de dezembro, que usou como mote a hashtag #QuemLucraNãoDemite. Na chamada para a campanha, o movimento sindical lembrou que somente as três maiores instituições privadas do país, Bradesco, Itaú e Santander, lucraram juntas R$ 35,7 bilhões nos três primeiros trimestres deste ano.
Esses números foram apurados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), com base nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia.
Em todos os anos entre 2013 e 2020, o saldo de empregos foi negativo no setor. Segundo o levantamento do Dieese, publicado pela Folha de São Paulo, o ano que teve mais vagas fechadas foi 2016: foram 20,6 mil desligamentos a mais do que contratações.
Entrevistada pela Folha, a técnica do Dieese Bárbara Vallejos apontou a transformação tecnológica e digital como principal fator que tem levado ao enxugamento da estrutura nas instituições financeiras.
“É como se o setor tivesse constituído uma nova forma de fazer negócio, com um modelo mais enxuto e visando a redução de despesas”, afirmou.
Além das dispensas sem justa causa e dos pedidos de demissão, há ainda o caso da Caixa Econômica Federal, que em novembro abriu um Programa de Demissões Voluntárias (PDV). A intenção é enxugar seu quadro de funcionários em cerca de 10%.
“É preocupante o desligamento desses trabalhadores sem uma indicação do banco para a contratação de novos empregados”, ressalta o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto.
“Além de piorar as condições de trabalho, a falta de bancários pode prejudicar o atendimento à população; especialmente, neste momento de pandemia”, disse Takemoto.
Até o encerramento do último PDV, no último dia 20 de novembro, o déficit no quadro de pessoal da Caixa já superava 17 mil profissionais, de acordo com a Fenae.
Compromisso quebrado
No início da pandemia do novo coronavírus, os bancos firmaram um compromisso com sindicatos dos bancários de não demitirem funcionários na emergência sanitária. No entanto, o acordo não foi cumprido.
O levantamento do Dieese também revela isso. Nos primeiros dez meses de 2020, o saldo negativo no setor é de 8.086 vagas. E o mês com o pior saldo neste ano foi outubro, quando 5,6 mil postos de trabalho foram fechados, entre admissões e desligamentos.
Contra essa situação, o Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, junto às demais entidades de representação da categoria, promoveu manifestações virtuais e atos públicos em frente às agências de sua base. Foi uma forma de pressionar os bancos e denunciar a população a exploração dos trabalhadores e dos próprios clientes, que pagam altas tarifas por um atendimento cada vez mais precarizado.
O último tuitaço foi no dia 18 de dezembro, que usou como mote a hashtag #QuemLucraNãoDemite. Na chamada para a campanha, o movimento sindical lembrou que somente as três maiores instituições privadas do país, Bradesco, Itaú e Santander, lucraram juntas R$ 35,7 bilhões nos três primeiros trimestres deste ano.
E, enquanto os bancos reduzem seus quadros de funcionários, as portas das agências bancárias do país registram filas diárias.
Para o presidente do Sindicato, Roberto Carlos Vicentim, os dados reforçam que o compromisso dos bancos é tão e somente com os lucros. “Não é por acaso que os bancos seguem sendo o setor mais lucrativo do país, mesmo em meio a uma crise econômica e sanitária que vitimou o mundo inteiro. É uma vergonha que, diante deste cenário caótico e lucrando bilhões, essas instituições sigam dispensando trabalhadores e comprometendo o crescimento econômico do país com o único objetivo de cortar custos da folha de pagamento e acumular ainda mais riqueza”, indigna-se Vicentim.
“Temos milhões de brasileiros na extrema pobreza, e que a partir de agora não podem contar mais nem com a ajuda do auxílio emergencial. A informalidade no mercado de trabalho também é recorde. Esse é o cenário de terra arrasada da política econômica ultraliberal do governo Bolsonaro. Enquanto os acionistas festejam resultados, o número de bancários desempregados aumenta, como mostra o estudo. E os que permanecem empregados estão vendo seus direitos serem minados todos os dias”, denuncia Vicentim.
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