24/07/2020
Privatização: governo cria novo estatuto para transformar empresas públicas em S. A.
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Após o anúncio de que o ministro Paulo Guedes assumiria pessoalmente o programa de privatizações, listando entre as operações prioritárias para este ano a abertura de capital da Caixa Seguridade, o governo federal anuncia que pretende realizar uma revisão no estatuto das empresas públicas.
Nesta alteração estatutária é previsto, entre outras mudanças, a transformação de todas as empresas públicas de grande porte e suas subsidiárias em “Companhias”, ou seja, em “Sociedades por Ações”, que poderiam ser de capital aberto (listadas em bolsa de valores) ou fechado.
A Caixa já sofreu esta ameaça entre 2015 e 2017. No período, tramitava no congresso o Projeto de Lei do Senado (PLS) 555, que previa a transformação de todas as empresas em S. A. de capital aberto, com a listagem de ao menos 25% de seu capital em bolsa. Após muita luta das entidades representativas, o PLS 555 foi convertido na Lei 13.303/2017 sem esta previsão.
Depois, em 2017, o Conselho de Administração da Caixa chegou a aprovar um novo estatuto – com o voto contrário da conselheira eleita pelos empregados, Maria Rita Serrano – prevendo sua transformação em S. A. Após diversos questionamentos das entidades, empregados e sociedade organizada, esta transformação também foi retirada da versão final do estatuto, publicada em 14 de dezembro de 2017.
É muito conveniente, para os planos de Bolsonaro e Paulo Guedes privatizar os negócios da Caixa, a previsão de transformar a subsidiária recém-criada Caixa Cartões, a recém transformada Caixa Loterias (antiga Caixa Instantânea S. A., que deveria operacionalizar as “raspadinhas”), a já existente Caixa Seguridade e a pretensa Caixa Banco de Investimentos (ou Caixa DTVM), com uma única “canetada” em Sociedades por Ações.
Ação judicial
A Fenae e a Contraf-CUT, representando o Sindicato, questionaram, por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), o processo de venda do patrimônio público iniciado no governo passado e mantido pelo presidente Bolsonaro e pelo ministro Paulo Guedes.
Foi concedida liminar proibindo a venda das empresas, e posteriormente, no julgamento do mérito, o acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) previa a necessidade de autorização legislativa para que o governo realizasse a venda/transferência do controle em diversos casos.
As entidades representativas interpuseram recurso buscando aumentar a proteção das empresas públicas contra os processos de privatização. Recentemente, o Congresso Nacional solicitou ao STF seu ingresso na ação como parte interessada.
Por conta da ação, na terça-feira (15), o Supremo Tribunal Federal (STF) deu um prazo para que o presidente Jair Bolsonaro se manifeste sobre o processo de venda de refinarias da Petrobras.
Já o Tribunal de Contas da União anunciou que irá acompanhar de perto o IPO da Caixa Seguridade também motivado pela liminar.
A ação judicial é uma das estratégias do movimento sindical e associativo para tentar interromper o desmonte da Caixa e as tentativas do governo de transferir do patrimônio público a poucos agentes privados.
Campanhas em defesa da Caixa
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, em conjunto com demais sindicatos dos país, as Apcefs e e a Fenae, também tem realizado diversas campanhas de valorização e defesa das empresas públicas, para denunciar à sociedade os projetos de privatização e como eles afetarão negativamente a vida das pessoas.
Na quinta-feira (23), empregados de todo o país e entidades que defendem os bancários da Caixa realizaram uma grande mobilização nas redes sociais contra a ameaça de privatização da Caixa, com diversas postagens com a hashtag #MexeuComACaixaMexeuComOBrasil.
O diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Antônio Júlio Gonçalves Neto, reforça ser fundamental alertar a sociedade brasileira sobre a importância das empresas públicas para o Brasil e para os brasileiros. Com a privatização dessas instituições, o país perderá investimentos em políticas públicas como saneamento básico, habitação, educação, saúde e segurança.
"O legado social é o que revela a importância de uma empresa pública para a população e desmente as afirmações de que as estatais têm sempre uma gestão ineficiente. Imagine-se quantas escolas, quantos quilômetros de estradas ou quantos empréstimos a juros mais baixos bancos públicos como a Caixa, o Banco do Brasil, o BNDES, financiaram? Ou o quanto os Correios e a Petrobras ajudaram o país a superar crises? Um dos maiores crimes que um governante pode cometer contra seu povo é destruir sua soberania. O que estamos vivendo é, sem dúvida, o maior ataque à soberania nacional vivido na nossa história. Capacidade de investimento se tem com as empresas públicas que são lucrativas e ajudam a desenvolver as regiões, por isso, defender defendê-las é defender o Brasil”, ressalta o diretor.
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