09/07/2020
Em meio à pandemia: mais mobilização social pode diminuir violência contra a mulher
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"Com a mulher junto do agressor no cotidiano, ela tem dificuldade de pedir ajuda. A situação
das mulheresdurante a pandemia e pós-pandemia tende a piorar", afirma Dulcelina Xavier
(Imagem: EBC)
Em todas as crises, as mulheres são as primeiras e mais afetadas. Especialmente no mundo do trabalho.” A contestação é da secretária nacional de Mulheres da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM-CUT), Marli Melo. A entidade promoveu um debate na quarta (8), sobre a desigualdade de gênero em tempos de pandemia de covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Em pauta, o aumento da violência doméstica durante o isolamento social, aliado à ausência de políticas públicas sobre o tema e o quanto a pandemia piora o cenário, embora a desigualdade seja histórica e estrutural.
As informações são da Rede Brasil Atual.
“As mulheres sempre conviveram com seus agressores. Então, o que fazer neste momento? Quais políticas públicas temos para que as mulheres denunciem? Com o isolamento, não tem como a denúncia ser pessoal”, observa Marli.
Outro problema que ganha se agrava é a desigualdade no trabalho. A jornada tripla, que implica o trabalho doméstico, a vida profissional remunerada e a criação dos filhos, sempre foi a realidade das mulheres. Em tempos de pandemia e de maior convívio domiciliar, a ampliação do conflito fica evidente.
Ao lado de Marli, participaram do debate a coordenadora do curso de Promotoras Legais Populares de São Bernardo do Campo, Dulcelina Xavier, e a socióloga Adriana Marcolino, do Dieese.
O cotidiano
“Em um momento de pandemia, a sobrecarga é mais aguda. As mulheres estão somando as atividades remuneradas, as atividades com as crianças e, também, as atividades escolares que ficaram como tarefa para as famílias”, explica Adriana.
“Existe uma dissolução entre o trabalho doméstico e o remunerado. As mulheres trabalham nas madrugadas para dar conta, porque a jornada do dia não é suficiente. Isso causa estresse, doenças relativas à ansiedade e à saúde física”, completa.
A isso se soma a exposição à violência. “Tem o agravante de que, com a mulher junto do agressor no cotidiano, ela tem dificuldade de pedir ajuda. A situação das mulheres durante a pandemia e pós-pandemia tende a piorar”, diz Dulcelina.
“É uma posição de vulnerabilidade extrema. Com a crise isso piora. Vemos que a questão da creche, das escolas fechadas. Não temos perspectiva de melhora econômica. Se tiver, é muito a longo prazo”, acrescenta Adriana.
Entretanto, as trabalhadoras assumem a posição de protagonismo da luta cotidiana, ampliada pela pandemia. “Não podemos fazer uma fala de que está tudo perdido, de que não tem saída. Para mim, a saída é sempre pelo movimento social, pela articulação entre nós, classe trabalhadora”, defende Dulce.
Para ela, a articulação dos movimentos populares, iniciativas da sociedade civil, podem atrair apoio e fortalecimento à população mais vulnerável. “Temos que lutar muito para conseguir apoio social para esse setor mais vulnerável das mulheres negras, indígenas. Nossa luta tem que ser para conseguirmos a ampliação das políticas sociais e o fortalecimento dos movimentos sociais, no sentido de criar uma rede de solidariedade.”
> Assista ao debate completo aqui.
As informações são da Rede Brasil Atual.
“As mulheres sempre conviveram com seus agressores. Então, o que fazer neste momento? Quais políticas públicas temos para que as mulheres denunciem? Com o isolamento, não tem como a denúncia ser pessoal”, observa Marli.
Outro problema que ganha se agrava é a desigualdade no trabalho. A jornada tripla, que implica o trabalho doméstico, a vida profissional remunerada e a criação dos filhos, sempre foi a realidade das mulheres. Em tempos de pandemia e de maior convívio domiciliar, a ampliação do conflito fica evidente.
Ao lado de Marli, participaram do debate a coordenadora do curso de Promotoras Legais Populares de São Bernardo do Campo, Dulcelina Xavier, e a socióloga Adriana Marcolino, do Dieese.
O cotidiano
“Em um momento de pandemia, a sobrecarga é mais aguda. As mulheres estão somando as atividades remuneradas, as atividades com as crianças e, também, as atividades escolares que ficaram como tarefa para as famílias”, explica Adriana.
“Existe uma dissolução entre o trabalho doméstico e o remunerado. As mulheres trabalham nas madrugadas para dar conta, porque a jornada do dia não é suficiente. Isso causa estresse, doenças relativas à ansiedade e à saúde física”, completa.
A isso se soma a exposição à violência. “Tem o agravante de que, com a mulher junto do agressor no cotidiano, ela tem dificuldade de pedir ajuda. A situação das mulheres durante a pandemia e pós-pandemia tende a piorar”, diz Dulcelina.
“É uma posição de vulnerabilidade extrema. Com a crise isso piora. Vemos que a questão da creche, das escolas fechadas. Não temos perspectiva de melhora econômica. Se tiver, é muito a longo prazo”, acrescenta Adriana.
Entretanto, as trabalhadoras assumem a posição de protagonismo da luta cotidiana, ampliada pela pandemia. “Não podemos fazer uma fala de que está tudo perdido, de que não tem saída. Para mim, a saída é sempre pelo movimento social, pela articulação entre nós, classe trabalhadora”, defende Dulce.
Para ela, a articulação dos movimentos populares, iniciativas da sociedade civil, podem atrair apoio e fortalecimento à população mais vulnerável. “Temos que lutar muito para conseguir apoio social para esse setor mais vulnerável das mulheres negras, indígenas. Nossa luta tem que ser para conseguirmos a ampliação das políticas sociais e o fortalecimento dos movimentos sociais, no sentido de criar uma rede de solidariedade.”
> Assista ao debate completo aqui.
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