29/10/2019
Ao invés de abrir novos concursos, BB suspende licença-interesse dos funcionários

O Banco do Brasil voltou a realizar uma política de gestão liberal que praticava na década de 1990. A instituição solicitou o retorno de bancários que estão em licença-interesse e suspendeu a concessão de novas licenças. Existem atualmente cerca de 2.100 bancários em licença-interesse na empresa.
Em comunicado enviado aos funcionários, o banco disse apenas que se trata de uma “decisão administrativa” para preencher vagas em aberto. Como o banco não tem concurso vigente, os funcionários ficam sujeitos às reestruturações que estão sendo realizadas e sofrem com a sobrecarga de trabalho.
Prerrogativa e ameaça
Segundo a Diretoria de Pessoas (Dipes), é prerrogativa do banco conceder, ou não, a licença-interesse e a convocação de funcionários que estejam licenciados está prevista nas normas internas do banco.
As normas estipulam ainda que o funcionário em licença-interesse pode ficar afastado do trabalho por até dois anos, sem vencimentos nem benefícios.
No comunicado, o banco diz ainda que o bancário em licença-interesse deverá se apresentar até o dia 22 de novembro em seu local de trabalho e ameaça que, “caso não compareça para posse, suas ausências a partir de 25/11/2019, serão classificadas como ‘falta não abonada não autorizada’, o que poderá incorrer em abandono de emprego, passível de demissão por justa causa (alínea I do artigo 482, da CLT)”.
Guinada negativa
“Durante a licença-interesse os funcionários não recebem salários nem benefícios. Ela permite que eles se aperfeiçoem e voltem para o banco com mais qualificação”, explicou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, João Fukunaga.
“Percebemos uma guinada negativa na política de pessoal da empresa, com predominância de ações voltadas para punir, prejudicar o bancário e suprimir direitos. ”, criticou o diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília e representante da Federação Centro-Norte na Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, Rafael Zanon.
Para o Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, alterar a licença-interesse não é a medida mais eficaz para o preenchimento das vagas existentes. Roberto Carlos Vicentim, presidente do Sindicato ressalta a necessidade de novos concursos.
"É evidente a urgência de mais contratações, mas o Banco do Brasil parece estar fazendo de tudo para que não haja novos concursos. Enquanto isso, trabalhadores adoecem com a sobrecarga de trabalho e com as reestruturações já feitas no banco. O Sindicato está à disposição dos bancários que precisarem de orientação sobre esse direito retirado", explica Vicentim.
O Sindicato disponibiliza assessoria jurídica gratuita aos bancários. Os atendimentos ocorrem às quartas e quintas-feiras, das 9h às 17h30, na sede da entidade (Rua Pernambuco, 156). Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (17) 3522-2409.
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