04/09/2019
Carteira Verde e Amarela: governo pretende acabar com direitos trabalhistas de jovens

O Governo Federal prepara os ajustes finais no projeto da carteira verde e amarela, que praticamente acaba com todos os direitos trabalhistas. Serão mantidos apenas aqueles garantidos pela Constituição Federal, como o 13º salário, férias remuneradas e FGTS. Na etapa inicial de implantação, as empresas que contratarem jovens para seu primeiro emprego terão desoneração total da folha de pagamentos. Passada esta primeira etapa, o projeto seria ampliado para toda a sociedade e abrirá espaço para a adoção do regime de capitalização da Previdência.
“É mais um projeto deste governo que visa apenas tirar direitos dos trabalhadores. Os jovens, que são os que mais sofrem com a estagnação econômica e a falta de emprego, seriam as cobaias de um projeto em experimentação”, disse a secretária de Juventude da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Fernanda Lopes. “Se essa barbaridade for aprovada, entrariam no mercado de trabalho e chegariam à velhice sem saber o que são direitos trabalhistas”, completou.
Sem emprego e sem direitos
A proposta, que havia sido aventada pelo governo desde antes da posse, será rebatizada de “Emprego Verde e Amarelo” e, segundo o governo, foi pensada para criar novas vagas de emprego.
“Aprovaram a reforma trabalhista, que retirou diversos direitos dos trabalhadores, com a mesma justificativa, mas não foram criadas novas vagas. Agora, querem tirar outros direitos, mas, mais uma vez, não surtirá efeito. O governo vai na contramão. Não é à toa que vivemos um período de recessão, com 12 milhões de desempregados”, critica a secretária de Juventude da Contraf-CUT.
A taxa de desemprego no Brasil é de 11,8%. Entre os jovens de 18 e 24 anos, é mais do que o dobro (25,8%), o equivalente a 4 milhões de jovens ou 31% de todos os desempregados do país.
Para Fernanda, o projeto vai apenas ampliar a margem de lucro das empresas. “As empresas pagarão menos impostos se contratarem jovens para o primeiro emprego. Veremos aumentar ainda mais o chamado turn over, com a demissão de empregados mais experientes, que ganham mais, e a contratação de jovens ganhando menos. E as empresas ainda seriam premiadas com a desoneração”, observou. “Aquela história de ter que escolher entre ter emprego ou direitos é uma falácia. Na prática, o desemprego continuará, os trabalhadores não terão direitos e também não terão serviços públicos, pois, com desoneração, o governo terá menos dinheiro ainda para tocar o Estado”.
Desrespeito à democracia
É válido lembrar ainda que a proposta abre caminho para a capitalização da Previdência, que enfrenta resistência no Congresso e já foi descartada pelos deputados. Trata-se de um desrespeito a democracia. Os deputados já rejeitaram a proposta de capitalização da Previdência. Mas, o governo quer enfiar a proposta a goela abaixo nos trabalhadores, atitude típica de um regime autoritário.
O secretário geral do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Júlio César Trigo, defende que para gerar empregos é preciso que haja investimentos.
"Até agora, nenhuma política séria de geração de emprego e renda foi anunciada pela equipe econômica do governo. Falam apenas em atacar a Previdência e privatizar empresas públicas. O que gera emprego é o crescimento da economia. E a economia só cresce com investimentos em obras de infraestrutura; aumento do crédito, dos salários e dos investimentos em ciência, tecnologia e educação, além de uma mudança na carga tributária para reduzir o peso sobre a criação de empregos. E é por isso que vamos continuar lutando", diz o diretor.
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- STF vai julgar transparência salarial e movimento sindical defende validade da lei
- Em mesa, CEE denuncia desvalorização dos empregados e cobra respostas da Caixa
- Ao arrepio da lei e da negociação coletiva, Santander quer prejudicar ‘hipersuficientes’
- ELEIÇÕES SINDICAIS 2026: COMUNICADO
- Banco Central reduz Selic em apenas 0,25 e mantém juros em nível que contribui à perda de renda da população
- Itaú fecha agências, sobrecarrega unidades abertas e bancários vivem suplício
- Agências bancárias estarão fechadas no feriado do Dia Internacional do Trabalhador
- Alô, associado! Venha curtir o feriado de 1º de Maio no Clube dos Bancários
- Por que a economia cresce, mas o dinheiro não sobra?
- Cabesp anuncia reajuste nos planos Família, PAP e PAFE, que valem a partir de 1º de maio
- Bancários e bancárias: Responder à Consulta Nacional é fundamental para definir rumos da Campanha Nacional 2026
- Fim da escala 6x1 será a principal bandeira dos sindicatos neste 1º de Maio
- Em reunião com banco, COE Itaú cobra cumprimento do acordo coletivo e debate mudanças organizacionais no GERA
- Juros cobrados pelos bancos colaboram para o aumento do endividamento das famílias
- 28 de abril marca luta pela saúde no trabalho e memória das vítimas de acidentes e doenças ocupacionais