30/03/2019
Bancário do Santander sofre avalanche de abusos; Denuncie qualquer tipo de pressão

“Hoje me encontro desempregado, doente e com fortes dores no braço. Me sinto injustiçado, visto que trabalhei 8 anos e 6 meses e sempre me relacionei bem com os meus pares e principalmente gestores, nunca recebi advertências, e pior, sem fundamentos, como ocorreu recentemente, baseado em boatos. Nesse ato covarde me tiraram o emprego sem fatos. Me sinto humilhado.”
O desabafo de um ex-bancário do Santander resume o ambiente de trabalho opressor e adoecedor ao qual muitos dos empregados do banco espanhol e de outras instituições financeiras encaram diariamente.
A matéria foi publicada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Paulo (nome fictício) vive com deficiência e foi contratado em 2010. Com apenas um braço, ele conta que os desrespeitos surgiram logo no início da contratação, quando identificou que seu salário não correspondia ao do cargo para o qual foi contratado.
Ao longo dos anos, foi transferido de área três vezes e enfrentou diversos casos de assédio moral e humilhações. Por conta dos desrespeitos e discriminação, foi diagnosticado com síndrome do pânico. Mesmo assim não se afastou por medo de ser dispensado.
Redução da nota sem feedback
Por duas vezes teve redução de nota sem receber nenhum feedback. “Me vi perseguido e injustiçado, o que acarretou na piora do meu tratamento. Tive que me afastar por mais de 30 dias, caindo no auxílio-doença”, conta Paulo.
Devido ao esforço e as metas impostas sem levar em consideração as limitações causadas pela deficiência, Paulo desenvolveu também bursite (inflamação na articulação), o que o obrigou a se afastar pela segunda vez.
Por fim, acabou demitido em março de 2019. “Depois de oito anos sendo humilhado, me sentia um lixo”, lamenta o trabalhador.
As doenças que o trabalhador desenvolveu são resultado do assédio moral, discriminação e falta de estrutura do banco com trabalhadores que adoeceram ou que têm deficiência. Ele sendo PCD [Pessoa com Deficiência] deveria contar com condições específicas de trabalho que o banco não disponibilizou, o que fere não só a Convenção Coletiva de Trabalho, como a legislação vigente.
Procure o Sindicato!
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região chama a atenção para a atitude do trabalhador, que abriu mão de cuidar da própria saúde e priorizou o trabalho no banco. O Santander, por sua vez, o demitiu sem a menor consideração, quando julgou conveniente.
Por isso é fundamental procurar sua entidade representativa para receber todas as orientações logo que desenvolver qualquer doença relacionada ao trabalho, e não apenas após a demissão, como neste caso. E também é essencial cobrar do banco a Comunicação de Acidente de Trabalho para que o INSS reconheça o nexo entre e a atividade laboral, e conceda o auxílio-doença adequado que permita estabilidade ao empregado.
Os bancários podem procurar o Sindicato diretamente com um dirigente sindical pelo telefone (17) 3522-2409 ou através do WhatsApp (17) 99259-1987. O sigilo é absoluto.
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