Atenção! As tramoias do “Programa de Adequação de Quadros” do Banco do Brasil
O Banco do Brasil lançou o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), por meio do qual pretende transferir funcionários de locais de trabalho considerados com excesso de contingente, para outros onde há escassez de mão de obra. O programa prevê inclusive realocações compulsórias.
De acordo com o regulamento do PAQ, parte dos funcionários elegíveis à movimentação poderá receber um incentivo. Entretanto, essa vantagem não está especificada no documento.
No mesmo regulamento, o banco se outorga o direito de realocar de local de trabalho o funcionário que não aderir voluntariamente à movimentação.
A fim de pressionar a adesão ao PAQ, a direção do BB vem promovendo nos últimos meses uma série de encerramento de carteiras – resultado da implantação dos escritórios digitais –, o que deixou muitos funcionários sem função.
Armadilhas nas demissões voluntárias – O PAQ também incentiva funcionários de locais de trabalho com excesso de contingente a aderirem a um plano de demissão voluntária. Esse incentivo será feito por meio de uma indenização que corresponde a um salário por ano trabalhado – podendo ser limitado a oito, dez ou 12 salários, a depender da situação de cada trabalhador.
É aí que mora o problema. Esse valor não terá reflexos na Previ e no Economus. E tem mais: os funcionários que aderirem ao plano de desligamento e seus dependentes poderão ficar de fora da cobertura da Cassi.
Além disso, os que possuem bolsas de estudo da UniBB, em situação irregular ou de regularização, deverão ressarcir ao banco os valores investidos.
Reforma trabalhista – O plano de demissão do BB está respaldado nas novas regras da reforma trabalhista de Temer. A legislação que entrou em vigor em novembro do ano passado criou a “extinção do contrato de trabalho por comum acordo”. Essa modalidade, tratada pelo banco no PAQ como “desligamento consensual”, paga ao funcionário metade do aviso prévio e 80% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). E o trabalhador não terá direito ao seguro-desemprego.
Ainda de acordo com a nova legislação trabalhista, o funcionário que aderir a um plano de demissão voluntária, ou plano de desligamento, não poderá acionar futuramente a empresa na Justiça cobrando direitos trabalhistas, como horas extras, por exemplo. Inclusive estará impossibilitado de recorrer à Comissão de Conciliação Prévia (CCP).
“A direção da instituição pretende encolher ainda mais a atuação de um dos principais bancos públicos do país escorado pelas novas regras trabalhistas que retiraram direitos dos trabalhadores”, critica João Fukunaga, representante na comissão de empresa dos funcionários do Banco do Brasil.
“Esse novo plano de demissão é mais uma manifestação do governo que tomou o poder com o golpe de 2016, e que está desmontando o Banco do Brasil e destruindo sua função social”, afirma Fukunaga. “Inclusive o economista Mailson da Nobrega, ex-ministro da Fazenda do governo Sarney, quando o país sofria com a super inflação, defendeu em artigo, público no início de 2017, a privatização do BB”, lembra o dirigente.
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região alerta que, caso sofra pressão a aderir ao PAQ, o bancário deve denunciar ao Sindicato por meio de um dirigente sindical, por meio do canal Denuncie ou pelo WhatsApp (17) 99259-1987. O sigilo do denunciante é absoluto.
MAIS NOTÍCIAS
- CNFBB encerra programação de quinta-feira com apresentação das estratégias da Cassi para expansão e sustentabilidade
- Categoria bancária precisa conquistar vitória na Campanha Nacional e confirmá-la em outubro
- Bancários de bancos privados realizam encontros nacionais para definir estratégias da Campanha 2026
- Remuneração variável e Super Caixa são alvo de críticas em debate do 41º Conecef
- 41º Conecef destaca inclusão de pessoas autistas e homenageia companheiros que marcaram a luta dos empregados da Caixa
- 36º CNFBB: Manutenção da Previ forte passa pela constante comunicação com os associados e associadas
- Saúde Caixa, riscos psicossociais e saúde mental marcam segundo debate do 41º Conecef
- “Toda cidade precisa ter acesso aos serviços bancários”, defende Dep. Marcolino ao apresentar projeto contra fechamento de agências
- Defesa do Banco do Brasil público marca abertura do 36º CNFBB
- Santander frustra trabalhadores e impõe compensação de horas nos dias de jogos da Seleção
- Por direitos, conquistas e valorização, começaram os trabalhos do 41º Conecef
- 41º Conecef reflete sobre lições do sistema financeiro chinês para o desenvolvimento brasileiro
- CUSC cobra participação efetiva nas discussões sobre o Saúde Caixa e critica falta de resposta da gestão
- Junho Violeta: exclusão digital e ataques à participação dos beneficiários preocupam aposentados do Santander
- 28ª Conferência Nacional dos Bancários: categoria se reúne em SP para definir rumos da Campanha Nacional Unificada 2026