21/09/2017

Governo quer fusão da Caixa e BB. Defender os bancos públicos é fundamental para o país

Políticos querem fusão da Caixa e Banco do Brasil


O cerco contra as empresas públicas está se fechando. Na terça-feira, 12 de setembro, duas reportagens publicadas em grandes jornais comprovam que o projeto neoliberal de privatizações é prioridade do atual governo.

A primeira é sobre a ata divulgada da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que ressalta que os recentes anúncios de privatização e concessões são “fundamentais para a retomada da atividade econômica e da trajetória de desenvolvimento da economia brasileira”. Sob a ótica do governo Temer, as reformas aprovadas, ou na fila de aprovação (trabalhista e da previdência, por exemplo), também foram apontadas como “fundamentais” e que trarão “amplos benefícios para a sociedade”.

A segunda traz, novamente, o desejo do atual prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), de ver a Petrobras privatizada e a Caixa fundida ao Banco do Brasil. Dória vem sendo apontado como forte candidato para disputar as eleições presidenciais de 2018. “Não vejo razão para o Brasil ter dois bancos”, declarou o prefeito em uma reunião com empresários. Para Dória, o ideal é que os bancos sofram uma fusão, proposta que já foi levantada diversas vezes durante o governo FHC.

O prefeito também defende que a privatização da Petrobras ocorra em fatias, como já está ocorrendo. Esta proposta é considerada uma forma de privatização que, estrategicamente, pode passar despercebida pelo povo brasileiro.

O fomento ao desenvolvimento constitui uma típica função dos bancos públicos e extremamente necessária para o crescimento do país. Essas instituições também fornecem capital de giro para indústria, comércio, serviços, modalidade fundamental para sustentar e dar suporte às ações de Estado, bem como crédito para o consumo e produção das famílias, pontuou o diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região e da Apcef/SP, Antonio Júlio Gonçalves Neto.

PPI – Só este ano já foram anunciadas as privatizações da Eletrobras, Casa da Moeda e o leilão de concessão da Lotex (raspadinhas da Caixa).

As propostas fazem parte do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) que prevê a privatização de 4 empresas, 16 terminais portuários, 16 concessões de energia, 18 aeroportos, 2 rodovias e 1 Parceria Público-Privada (PPP) da Telecom. "Um exemplo do que pode ocorrer com todos os outros serviços oferecidos pelas estatais é o caso das empresas de telefonia, que após serem privatizadas encareceram os seus serviços e diminuíram a qualidade, destaca Tony.

As áreas de seguros e cartões da Caixa também estão na mira do PPI, assim como a Petrobras, o Banco do Brasil e os Correios.

A desculpa de Temer é que estas vendas e concessões elevariam a receita do governo para que a meta fiscal seja cumprida. No entanto, o mesmo governo estuda perdoar dívidas de empresários que somam R$ 543,3 bilhões. Só dos bancos privados já foram perdoadas dívidas de R$ 27 bilhões em 2017. E ainda há uma dívida acumulada de grandes bancos e empresas com a previdência que ultrapassa R$ 500 bilhões.

"O governo tem travado golpes contra o desenvolvimento da própria Nação. Com a redução do Estado brasileiro, é evidente a inviabilização e comprometimento do futuro do país, o que já pode ser sentido no dia-a-dia dos principais bancos públicos, como a Caixa e o BB, por exemplo, com a redução do quadro de empregados, o fechamento de agências e o enfraquecimento de seu papel social", denuncia o diretor.

Fonte: Apcef-SP, com edição de Seeb Catanduva

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