Só a mobilização pode barrar desmonte. Pressão dos trabalhadores é fundamental
O esvaziamento do debate sobre um novo projeto de lei que pretende extinguir com a aposentadoria do povo brasileiro (veja abaixo) foi o tema central da reunião da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência. O encontro, que aconteceu no final da tarde de terça 22 na Câmara dos Deputados, tratou da organização das agendas de mobilização, que devem se intensificar ainda no final do mês.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que trata da reforma da Previdência, deverá entrar na pauta da Câmara em setembro e a reação também deve ser por meios digitais e, por isso, a presidenta do Sindicato, Ivone Silva, reforça a importãncia de bancários, bancárias e trabalhadores em geral pressionarem os deputados para que votem contra a PEC 287, mandando e-mails para avisá-los de que, se votarem a favor, nunca mais serão eleitos. É fácil e rápido pela ferramenta Na Pressão.
O secretário adjunto de Relações de Trabalho, Pedro Armengol, destacou que para a CUT a implementação desta agenda ultraliberal sempre foi muito clara em relação aos verdadeiros propósitos: acabar com o papel social do Estado e retirar direitos dos trabalhadores. Para ele, a Emenda Constitucional 95 é a mãe de todas essas medidas: “ela engessa recursos e a previdência é apenas uma dessas conseqüências.”
O dirigente lembrou que a realização do Congresso Extraordinário da CUT, que acontece de 28 a 31 de agosto em São Paulo, tem como pauta central organizar uma agenda de resistência e enfrentamento ao turbilhão de perdas de direitos que vem ocorrendo.
“O primeiro semestre foi bastante intenso na luta como mostrou a greve geral do dia 28 de abril que parou o país. Agora estamos orientando nossas bases em como enfrentar a implementação da nova lei trabalhista, porque não reconhecemos essa reforma que foi aprovada, e estamos trabalhando na revogação da Emenda nº 95. Na previdência estamos pressionando para a criação dos comitês municipais para fazer esse trabalho de denúncia dos parlamentares na base e ameaçar que quem vota não volta”. Além disso, concluiu Armengol, seguimos na construção de uma nova greve no segundo semestre, “temos a convicção de que só a unidade das Centrais e movimentos sociais poderá sensibilizar essa Casa que hoje parece não ouvir as ruas”.
Já o presidente da Contag, Aristides Silva, apontou que ao longo do primeiro semestre aconteceram centenas de audiências públicas Brasil afora. Segundo ele, a Confederação se fez presente por meio dos mais de quatro mil sindicatos de trabalhadores rurais filiados. Silva explicou que eles agora estão fazendo um intenso debate para retomar essas agendas. “Vamos aumentar o diálogo com nossa base, em conjunto com outras centrais e confederações, igrejas, comércio local, prefeitos, vereadores, deputados estaduais, governadores alinhados ou não a este debate, porque entendemos que é no município que serão sentidas as consequencias devastadoras desta reforma”, avaliou e completou: “é bom registrar que têm parlamentares na Câmara e no Senado que não tem a menor sensibilidade com a pressão popular”.

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