Bancários definem plano de lutas da categoria

Os bancos que não tentem usar a reforma trabalhista para terceirizar empregos bancários, impor contratos precarizados, retirar direitos. Reunidos na 19ª Conferência Nacional, 696 bancários representando trabalhadores de todo o Brasil, definiram, no domingo 30, planos de lutas em defesa dos empregos, dos bancos públicos e para se opor à retirada de direitos imposta pelas reformas trabalhista e da Previdência.
Esses temas estiveram no centro dos debates nos três dias da Conferência, entre 28 e 30 de julho, em São Paulo, assim como a defesa dos bancos públicos e dos empregos bancários frente às novas tecnologias.
"Tiramos uma estratégia de enfrentamento aos ataques e em defesa dos direitos e dos empregos, outra para as quatro mesas temáticas e também planos de ação e de luta em relação aos ataques que estão sendo aplicados contra o movimento sindical e de lutas gerais, como a defesa da democracia, e dos bancos públicos, que não se trata de uma luta corporativista, em defesa do emprego apenas. A defesa dos bancos públicos é uma ação cidadã. Estamos na defesa do banco público enquanto entidade necessária para a retomada do desenvolvimento sustentável e inclusivo da sociedade toda de maneira geral", disse Roberto von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Roberto Carlos Vicentim, enfatiza que somente a luta conjunta poderá fazer frente aos ataques contra a classe trabalhadora.
"Toda a sociedade brasileira está perdendo com essas reformas, com o enfraquecimento do país. Precisamos manter uma mobilização nacional na defesa dos empregos e dos direitos dos trabalhadores, não somente entre os bancários de todo o Brasil, mas também ao lado de trabalhadores de outras categorias e movimentos sociais. A categoria bancária, por exemplo, pode contar com direitos previstos e garantidos na CCT até 31 de agosto de 2018, conquista do movimento sindical na Campanha de 2016. Não aceitaremos desrespeito a nenhum desses direitos."
Qualidade dos painéis
O presidente da Contraf-CUT destacou também as contribuições trazidas pelos palestrantes. "Tivemos painéis de muita qualidade que contribuíram com nossas reflexões e a definições de nossas estratégias e ações", afirmou.
Juvandia Moreira, vice-presidenta da Contraf-CUT, também destacou a importância das mesas de reflexões. "Elas ajudaram não apenas para a reflexão mas para a formação de dirigentes e de bancários de base que estão presentes. Nos trouxeram indicadores de como podemos enfrentar os ataques aos direitos e como enfrentar as consequências do avanço da tecnologia", disse a dirigente. "São questões que não cabem apenas à categoria bancária, mas vamos novamente assumir a ponta e colocar esse debate à sociedade toda", completou a vice-presidenta da Contraf-CUT.
Para Juvandia, o avanço tecnológico tem que ter uma regulação para não colocar a sociedade em risco. "Por exemplo, as fintechs, se não tiverem regulação podem gerar uma bolha e um risco sistêmico, como já aconteceu nos Estados Unidos com a falta de regulação do mercado financeiro", lembrou.
Moções
A 19ª Conferência Nacional dos Bancários aprovou ainda moções contra o governo e suas atitudes golpistas. Uma delas é a moção de repúdio a reforma trabalhista, sancionada pelo presidente Michel Temer, na qual a classe trabalhadora e seus legítimos representantes – sindicatos e centrais sindicais – foram desconsiderados na discussão. Com isso, o processo atende apenas os interesses dos empresários e o desejo de reduzir custos e aumentar os lucros, além de gerar um enorme retrocesso no país.
No Senado, as senadoras Fátima Bezerra, Gleisi Hoffmann, Vanessa Grazziotin, Lídice da Mata e Regina Souza representaram os trabalhadores contra a aprovação do projeto e enfrentaram as manobras conduzidas pelo Senado. Em apoio e solidariedade às essas mulheres de luta outra moção foi apresentada.
Em Repúdio ao Banco Mercantil do Brasil. A moção foi criada para combater as práticas do banco, que já fechou agências em diversas cidades do país e demitiu centenas de funcionários, inclusive dirigentes sindicais. Para os bancários, essa atitude revela o ataque a liberdade e organização sindical.
Os trabalhadores também são contra as tentativas dos governos Sartori e Temer, ambos do PMDB, de privatizar o Banrisul, Badesul e BRB por conta do Regime de Recuperação Fiscal, apresentado pelo governo golpista como saída para a crise fiscal do estado. A moção é em defesa aos três bancos, que atualmente desempenham papeis fundamentais para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e do Sul do Brasil.
Moção de Repudio ao ataque ao Estado Democrático e de Direito no Brasil defende a punição exemplar de casos de corrupção de todos os envolvidos e que se julgam acima da lei seja presidente, juiz, parlamentar ou empresário. Os bancários repudiam o uso político da operação lava-jato na esteira da consolidação do golpe institucional, com vistas às eleições 2018.
Um documento será entregue à federação dos bancos (Fenaban), no dia 8 de agosto, explicitando ponto por ponto a oposição dos bancários à reforma trabalhista. “Não aceitaremos qualquer alteração nos contratos de trabalho e queremos respeito a todas as cláusulas da nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)”, avisa o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten. “Não aceitaremos, por exemplo, a prevalência do negociado sobre o legislado que tem o objetivo de retirar direitos. E queremos garantias de respeito aos empregos e direitos da categoria.”
Acordo de dois anos – A Campanha Nacional Unificada 2016 garantiu aos bancários, após 31 dias de greve, um acordo com validade de dois anos para todos os trabalhadores de bancos públicos e privados do país. A estratégia mostrou-se ainda mais acertada, diante do agravamento da política de retirada de direitos com o governo Temer.
Confira os principais pontos do documento que será entregue aos bancos:
Não à terceirização
Não ao contrato temporário
Não à contratação de autônomos
Não ao contrato intermitente de trabalho
Não ao teletrabalho sem negociação com os sindicatos
Não ao termo de quitação das obrigações trabalhistas
Não à jornada 12 x 36 horas
Não ao parcelamento da PLR em mais de duas vezes
Manutenção das homologações feitas pelos sindicato para fiscalizar o devido pagamento dos direitos dos demitidos
Não à rescisão do contrato de trabalho em comum acordo, na qual os trabalhadores só perdem
Não ao limite à liberdade de expressão dos sindicatos e dos trabalhadores
Contra prêmios e bônus que não integrem os salários
Garantia dos centros de realocação e requalificação
Respeito à jornada de trabalho dos bancários como forma de preservação da saúde
CCT válida para todos os trabalhadores dos bancos
Que todos os trabalhadores da atividade-fim dos bancos sejam representados pelos sindicatos de bancários
Assinatura de termos de responsabilidade por parte do empregado não eximirá o empregados da responsabilidade com a saúde dos trabalhadores
Livre acesso dos dirigentes sindicais às agências digitais
Garantia da ultratividade (validade) da CCT até a celebração de novo acordo
Garantia de que as gratificações de função sejam incorporadas apos 10 anos de recebimento
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