19ª Conferência Estadual dos Bancários aprova plano de lutas e elege delegação para etapa nacional

A Fetec-CUT/SP promoveu a 19ª Conferência Estadual dos Bancários, que reuniu 332 delegados, no sábado (15), em São Paulo. O evento discutiu os desafios para a Campanha Nacional dos Bancários 2017, a partir de análises sobre perspectivas e cenários.
A exemplo dos anos anteriores, a 19ª Conferência Estadual da Fetec-CUT/SP encerra um ciclo de debates realizados pela federação cutista, em conjunto com os sindicatos filiados, sobre conjunturas político-econômica, defesa do emprego, saúde e melhores condições de trabalho, valorização profissional e regulamentação do sistema financeiro.
Os delegados aprovaram, por unanimidade, o plano de luta dos bancários do estado de São Paulo. O documento foi escrito com as contribuições enviadas pelos sindicatos da base da FETEC-CUT/SP e pelos delegados participantes da conferência. Também foi realizada a eleição dos 199 delegados para a 19ª Conferência Nacional dos Bancários, que será realizada de 28 a 30 de julho, também em São Paulo, e que definirá as estratégias de luta da categoria bancária.
Representando o Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, estiveram presentes o presidente Roberto Carlos Vicentim, e os diretores Paulo Franco, Aparecido Augusto Marcelo, Carlos Alberto Moretto, Amarildo Davoli, Júlio César Trigo, Sérgio Luis de Castro Ribeiro (Chimbica), Antônio Júlio Gonçalves Neto (Tony) e Júlio Cézar Eleutério Mathias.
A delegação ainda foi composta pelos delegados de base Antônio Carlos Nunes de Oliveira (Carlão), Roberta Cristine Jorge, Jane Aparecida de Olivera e Luana Gerlach. O ex-diretor do Sindicato e ex-presidente da Fetec-CUT/SP, Luiz César de Freitas (Alemão), completou o grupo.

Momento difícil
Na abertura da Conferência Estadual, os dirigentes foram unânimes em afirmar que a Campanha Nacional acontecerá em um momento difícil para os trabalhadores. Roberto Von der Oster, presidente da Contraf, lembrou do ex-presidente da federação custista Tião, homenageado do evento, como referência de luta dos bancários. “Vamos precisar desse ânimo para enfrentar os desafios que vem por aí. Passaremos por uma transformação, inclusive no movimento sindical, mas nunca perderemos a esperança na construção de uma sociedade justa. Vamos reconquistar tudo o que nos foi roubado, com muita luta”, afirmou.
O presidente da CUT São Paulo, Vagner Freitas, disse ser fundamental a luta e o comprometimento dos sindicatos. “Estamos num momento difícil, mas temos condições de reverter a situação, porém, precisamos enfatizar o papel dos sindicatos, que as reformas querem enfraquecer. Temos que ir para base e mostrar os malefícios das reformas e nos organizar daqui para frente. Precisamos organizar os sindicatos para nova realidade. E, com certeza, sairemos daqui energizados para conversar com os bancários e fazer o enfrentamento necessário”, ponderou o presidente, que convidou todos para o ato por nenhum direito a menos, que será no próximo dia 20, às 17h, na Paulista.

Aline Molina, presidenta da FETEC-CUT/SP encerrou a mesa de abertura falando sobre a luta de classes: “Vivemos em plena luta de classe, estamos aqui entre militantes que há muitos anos estão na rua. Somos protagonistas em debater uma sociedade justa, e muitos aqui presentes fundaram o maior partido de trabalhadores e a maior central sindical deste país, em meio a um cenário de dificuldades. Então, na crise, crescemos, e vamos para base conquistar corações e mentes para nossa luta por um estado democrático de direito. Somos protagonistas dessa luta e vamos lutar contra ódio de classe”, finalizou.
IMPACTO DAS “REFORMAS” NO MUNDO DO TRABALHO
A semana turbulenta, enfrentada pelos trabalhadores foi o ponto de partida da explanação do Índio: “Essa foi a semana mais difícil das últimas décadas para a classe trabalhadora. A Reforma Trabalhista veio com a justificativa de modernizar a legislação trabalhista, de que o mercado de trabalho está engessado e de que irá gerar empregos. Mas sabemos que não é assim”, afirmou Edson Carneiro ao explicar que a legislação já sofre adaptações há muito tempo e que essa prática sempre serviu para combater os movimentos de trabalhadores. “A experiência internacional comprova que todos os países que restringiram direitos tiveram grande aumento de desemprego, o que desmente profundamente essa tese”, completou.
Outro ponto destacado foi a afirmação de que essa nova legislação irá apenas legalizar práticas já existentes. Para Roberto Von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o discurso da modernização da CLT, veiculado pela mídia, não passa de mais uma mentira. O verdadeiro significando é o da transferência de direitos da classe trabalhadora para o empregador.
“A precarização do trabalho é danosa e faz cair o poder salarial do trabalhador. O que é previsto é um desastre em escala. Pois o investimento tende a sair de cena, prejudicando as micros e pequenas empresas” e completa: “A pérola do projeto da reforma é a questão do negociado sobre o legislado. Principalmente em categoria fracas, que não possuem um poder de negociação”, alertou Betão.
BANCOS PÚBLICOS
Segundo Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), no Conecef os debates foram realizados em quatro grupos, que debateram os temas Saúde Caixa, saúde e condições de trabalho, Funcef, previdência, aposentados, verticalização, reestruturação, terceirização, reforma trabalhista, mais contratações, defesa da Caixa e defesa dos bancos públicos.
“Os delegados do 33° Conecef debateram os temas e deliberaram uma série de resoluções de organização do movimento para orientar a nossa luta contra os ataques promovidos pelo governo contra os direitos dos trabalhadores, contra os bancos públicos e contra a Caixa, buscando sempre a unidade em defesa de nossos direitos. Para isso, será fundamental reestabelecer a democracia, com eleições diretas, já”, diz o dirigente.
Ao narrar as discussões ocorridas no CNFBB, João Fukunaga, integrante da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, afirmou que o Congresso ratificou a importância da luta em defesa do BB e do seu papel social como banco público; dos direitos e empregos dos bancários; a luta contra o desmonte da instituição.

Para Rita Serrano, representante eleita pelos empregados ao Conselho de Administração da Caixa, vivemos um momento de grande instabilidade política e econômica, com um governo golpista e um Congresso reacionário, comprometidos com o capital privado, colocando sob risco, com as chamadas “reformas”, direitos conquistados a duras penas pelos trabalhadores. Os meios de comunicação ajudam, impondo uma narrativa de retirada de direitos e privatização do patrimônio público, e os empregados da Caixa e demais empresas públicas vivem nesse cenário de ameaças. O modelo de bem-estar social que estava sendo construindo vai rapidamente perdendo espaço para o Estado Mínimo.
APOIO AS SENADORAS E HOMENAGEM A SEBASTIÃO GERALDO CARDOZO
Durante a Conferência, os delegados aprovaram a moção de apoio apresentada pela FETEC-CUT/SP, em solidariedade às senadoras que bravamente enfrentaram as manobras conduzidas pela presidência do Senado, no último dia 11.
As senadoras Fátima Bezerra, Gleisi Hoffmann, Vanessa Grazziotin, Lídice da Mata e Regina Souza que tentaram modificar o texto da Reforma Trabalhista e defenderam a participação popular na então votação, com a ocupação da mesa da casa. O senador José Medeiros (PSD-MT) entrou com uma representação no Conselho de Ética do Senado contra as senadoras.
Os 331 participantes também aprovaram mais três moções: Apoio ao ex presidente Lula, Repudio ao ataque ao Estado Democrático e de Direito no Brasil e Contra à Reforma Trabalhista
A Federação também prestou homenagem ao seu ex-presidente, Sebastião Geraldo Cardozo (Tião), dando seu nome ao evento. O companheiro Tião faleceu em março de 2017, aos 58 anos, vítima de infarto, na cidade de São José do Rio Preto, no interior paulista.
“O Tião nos deixou uma importante lição de que é preciso ter fraternidade com os companheiros. A disputa ideológica deve existir, mas acima de tudo deve existir respeito, fraternidade e muito bom humor”, lembrou Vagner Freitas, presidente nacional da CUT.
MAIS NOTÍCIAS
- 1º semestre da Funcef registra rentabilidade acima da meta atuarial
- Bancários do Bradesco votam proposta do Programa Supera em assembleias nesta sexta-feira (29)
- Receita enquadra fintechs nas mesmas exigências de transparência dos bancos
- Sindicato celebra o Dia do Bancário com show de prêmios e reconhecimento à categoria
- Representantes do GT Banco do Futuro definem pautas da próxima reunião com a Caixa
- Dia do Bancário: Sindicato presente nas agências reforça diálogo e defesa de direitos
- Megaoperação revela que PCC utiliza fintechs para lavar bilhões de reais
- Dia do Bancário: história de luta, conquistas e transformação social
- Sindicato alerta para nova tentativa de golpe utilizando nosso parceiro jurídico Crivelli Advogados
- Sindicato vai às ruas em defesa do Banco do Brasil e da soberania nacional
- Saúde Caixa: Caixa é ágil ao tentar minimizar impacto de projeções de reajuste, mas silencia sobre fim do teto em alteração de estatuto
- Reajuste salarial, PLR, VA e VR: Quanto e quando você vai receber?
- 10 motivos para você ir às ruas no 7 de setembro defender a soberania nacional
- Bradesco: Assembleia no dia 29 vai deliberar sobre PPR e PRB. Participe!
- BB confirma pagamento da PLR para 12 de setembro