Brasil agora é a terra do desmonte trabalhista

O dia 11 de julho de 2017 vai entrar para a história do Brasil como a data em que os trabalhadores começaram a perder todos os seus direitos.
Por 50 votos a favor, 26 contra e uma abstenção, os senadores aprovaram o PLC 38/2017, o desmonte trabalhista de autoria do governo Temer, com apoio de banqueiros, maus empresários e industriários. (Veja aqui quais foram os senadores que traíram os trabalhadores)
O texto, que muda a legislação trabalhista do Brasil e joga no lixo inúmeras conquistas obtidas pela Classe Trabalhadora nos últimos anos, foi aprovado pela Câmara dos Deputados sem muita discussão e segue agora para a sanção presidencial.
Durante todo o dia, trabalhadores de diversas regiões do país estiveram no Congresso para tentar desarmar a 'bomba', pressionando os parlamentares para rejeitarem o projeto de desmonte trabalhista. O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, representado por seu presidente Roberto Carlos Vicentim e pelos diretores Paulo Franco, Júlio César Trigo e Carlos Alberto Moretto, uniu-se aos milhares de trabalhadores na capital federal para engrossar a mobilização e protestar contra a retirada de direitos. (Veja imagens dos protestos abaixo)
"Fomos a Brasília pela defesa dos trabalhadores brasileiros, sobretudo pelos direitos da categoria bancária. Infelizmente, assistimos a tudo o que conquistamos ao longo de anos de luta e resistência ser atropelado por aqueles que só se importam em aumentar seus lucros às custas da exploração do trabalhador. Querem precarizar os postos de trabalho e baratear a mão de obra beneficiando apenas patrões, mas não desistiremos. Nós, bancários, somos fortes e temos de nos manter unidos, aumentar ainda mais nossa mobilização para impedir que os bancos avancem contra nossas conquistas", defendeu Vicentim.
Resistência - Senadoras de partidos de oposição ao governo Temer – Gleisi Hoffmann (PT-PR), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN), Regina Sousa (PT-PI), Lídice da Mata (PSB-BA) – ocuparam a mesa do Senado, na tentativa de conduzir uma votação que garantisse amplo debate. O presidente da Casa, Eunício Oliveira, mandou cortar os microfones e apagar as luzes do plenário.
Foram mais de seis horas de resistência na tentativa de incluir pelo menos um destaque para levar a reforma a debate – contra a autorização de gestantes e lactantes trabalharem em ambientes insalubres. Os senadores governistas – principalmente do PSDB e PMDB – não queriam nenhuma mudança, porque isso remeteria o texto novamente a discussão na Câmara dos Deputados.
No início da tarde, logo após o início da sessão cujo único item da pauta foi a votação da reforma trabalhista, o presidente da CUT, Vagner Freitas, foi impedido de entrar no plenário do Senado. "Estou aqui parado na frente do plenário do Senado da República, impedido de entrar para acompanhar a votação da reforma trabalhista", disse, em vídeo publicado no Facebook. "O tal do presidente da casa diz que não entra ninguém, só senadores e parlamentares. Impedir que a gente tenha acesso à casa do povo é ditadura", acrescentou. "Estamos tentando entrar para representar o trabalhador e a trabalhadora".
Reforma burra – Além de retirar direitos dos trabalhadores (veja abaixo), a reforma trabalhista que na verdade é um desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho será nociva também para o país. O desmonte vai aumentar a rotatividade, rebaixar salários e isso terá um efeito cascata sobre a economia nacional.
Estudo feito pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia da Unicamp) aponta que a reforma trabalhista de Temer não traz um único ponto que beneficie o trabalhador. E reforça o prejuízo ao Brasil: “o estreitamento do mercado de consumo pela ausência de demanda forçará, necessariamente, um processo de reconcentração de renda em mãos do capital, comprometendo o próprio desenvolvimento e aumentando os níveis de pobreza”. Voltaremos a ser um Estado refém do capital externo, ainda mais dependentes dos altos juros cobrados pelos bancos privados, os principais interessados nesse desmonte. Isso só interessa a setores que já ganham muito à custa dos trabalhadores e do povo brasileiro.
Todos contra – O argumento de modernização e criação de empregos, utilizado pelos defensores do desmonte, é atacado pelas principais autoridades da área de trabalho.
Além de milhões de trabalhadores em todo Brasil, posicionaram-se contra a reforma trabalhista de Temer autoridades no assunto e entidades como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), juízes do Tribunal Superior do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Centro de Estudos Sindicais e de Economia (o Cesit, da Unicamp).
Veja imagens dos protestos contra a retirada de direitos durante votação da Reforma Trabalhista no Senado Federal:
Presidente do Sindicato Roberto Carlos Vicentim em marcha Carlos Alberto Moretto, diretor do Sindicato, participa de ato
contra a Reforma Trabalhista, na capital federal que simboliza o enterro de direitos e conquistas trabalhistas
Trabalhadores de todo o Brasil em protesto contra o Categoria bancária em mobilização por nenhum direito a menos
desmonte trabalhista de Temer, em Brasília
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