Na ânsia de lucrar, instituições exploram clientes com tarifas bem acima da inflação

Os bancos aumentaram bastante as tarifas cobradas dos clientes em junho. Segundo pesquisa divulgada pelo Procon, na segunda 3, os reajustes de todos os pacotes padrozinados representam pelo menos o dobro do IPCA, inflação oficial, medida pelo IBGE.
O pacote que subiu menos foi o padronizado IV, 7,49% em média nos bancos pesquisados (BB, Caixa, Bradesco, Itaú, Santander e Safra). O acumulado da inflação em 12 meses (junho de 2016 a maio de 2017) ficou em 3,6%. O padrozinado III aumentou 7,58%; o padrozinado I, 8,31%, e o II, 9,12%.
De acordo com a economista do Dieese Cátia Uehara, no primeiro trimestre de 2017 as cinco maiores instituições financeiras do país (Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander) acumularam ganhos de mais de R$ 17 bilhões, elevação de 30% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os fatores que contribuíram: R$ 30 bilhões com tarifas, aumento médio de 14% em relação ao mesmo período do ano passado, além da redução de R$ 5 bilhões em impostos.
No mesmo período, os bancos demitiram 25 mil funcionários, aumentando a sobrecarga que impossibilita ao trabalhador dar a devida atenção aos clientes.
Exploração – “O que os bancos faturam com receita de tarifas supera o pagamento com despesa de pessoal. Em média os bancos conseguem pagar toda a despesa de pessoal e ainda sobra mais de 30% dessa despesa”, destaca Catia Uehara.
No Banco do Brasil, por exemplo, esse faturamento cobriu 115% da folha no primeiro trimestre de 2017, segundo balanço oficial da empresa. Apesar disso, a relação entre o número de contas correntes que cada bancário tem de atender subiu de 439 no primeiro trimestre de 2016 para 554 entre janeiro e março deste ano.
O balanço é ainda mais favorável ao Itaú, já que a relação entre receitas de tarifas e despesas de pessoal foi de 162,9% no mesmo primeiro trimestre de 2017, período em que foram fechadas 202 agências físicas.
No Santander, as receitas de tarifas passaram a cobrir 123% do total de despesas de pessoal no primeiro trimestre, ante 110% no mesmo período do ano passado. O Bradesco tem número parecido, com as mesmas receitas cobrindo 124,8% da folha. Na Caixa, o cenário não é diferente, já que o banco fechou 2016 pagando toda a folha apenas com o arrecadado com tarifas.
Piso cresce – A pesquisa mostra ainda que os clientes menos lesados foram os que pagam tarifas mais altas, cujo valor médio bateu nos R$ 35,76 por mês. O pacote padronizado II, que subiu mais, chegou ao valor mensal médio de R$ 18,54. O padrozinado I, o mais barato, foi a R$ 11,84, e o III, para R$ 24,13.
Roberto Carlos Vicentim, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, atenta para a exploração dos clientes e funcionários no aumento dos lucros. "Mesmo numa conjuntura de recessão e crise econômica, os bancos seguem ampliando seus lucros. No primeiro trimestre de 2017, as cinco maiores instituições financeiras acumularam mais de R$ 17 bilhões. Essa alta lucratividade às custas do aumento de tarifas deveria refletir em mais contratações, melhores condições de trabalho e, consequentemente, de atendimento ao cliente, que é quem paga por elas. No entanto, serviu apenas para gerar ainda mais lucro nos bolsos de banqueiros gananciosos, critica Vicentim."
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