12/09/2016
Sete dias de greve e a culpa é dos bancos; Catanduva tem 76 agências fechadas

O fim de semana acabou, mas o ânimo dos bancários, não! A categoria chega nesta segunda-feira (12) ao sétimo dia de greve nacional, cobrando dos bancos proposta digna de ser apreciada. A Fenaban, que volta a se reunir com o Comando Nacional dos Bancários a partir das 14 horas desta terça-feira (13), já sabe: para acabar com a greve tem de mudar de fato a proposta.
Nas duas apresentadas até agora, os bancos – setor que mais lucra no Brasil – tentaram impor perdas aos trabalhadores. A primeira proposta, apresentada nos dias 29 e 30, foi de 6,5% de reajuste mais R$ 3 mil de abono – perda de 2,8% para a inflação que até então estava projetada em 9,57%. Rejeitada em assembleia por unanimidade por cerca de 1,5 mil bancários, levou à greve com início no dia 6.
A segunda veio na sexta-feira 9: índice de 7% mais abono de R$ 3.300 – perda de 2,39% para uma inflação agora já fixada em 9,62% (INPC). A proposta foi rejeitada pelo Comando na mesa de negociação, já que essa política de reajuste rebaixado levaria a categoria bancária à mesma situação vivida nos anos 1990, de grandes perdas para os trabalhadores. O pagamento de uma parcela de abono não se reflete em férias, 13º, FGTS, VA, VR, auxílios, previdência.
Além disso, pelo proposto, as regras para a PLR continuariam as mesmas de 2015 e o vale-cultura seria extinto a partir de dezembro. A Fenaban também não trouxe resposta para reivindicações fundamentais para os bancários, como a proteção aos empregos, mais contratações, melhores condições de trabalho, mais saúde, segurança, fim da desigualdade entre homens e mulheres, auxílio-creche maior, vale-refeição durante a licença-maternidade.
“Voltamos a dizer: não tem crise para banqueiro, não pode ter crise para bancário. A greve tem de crescer para que a gente conquiste um bom acordo”, afirma Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e uma das coordenadoras do Comando Nacional. “Também cobramos a retomada das negociações e resposta para as reivindicações específicas dos empregados dos bancos públicos.”
Segunda-feira de luta
Milhares de bancários seguem firmes na greve em todo o Brasil. Na região de Catanduva, o Sindicato dos Bancários totaliza 76 agências com as atividades suspensas. Participe dessa luta! Cada bancário faz toda diferença para aumentar a mobilização. Ao lado dos dirigentes sindicais, ajude a convencer outros colegas a participar da greve.
Bancos choram, mas podem pagar
Os bancos estão em outro mundo. Na rodada de negociação realizada em 22 de agosto, os representantes do BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander, que compõem a mesa da Fenaban, tentaram defender o indefensável: que o setor não é o mais lucrativo do Brasil e mesmo assim paga excelentes salários, que não têm alto grau de risco para a saúde e não adoecem seus funcionários.
“Nas negociações dias 18 e 19 [de agosto], provamos com dados que o setor, mesmo na crise, segue lucrando muito. Pode pagar mais aos seus trabalhadores e parar com as demissões que já extinguiram 6.785 postos de trabalho somente nos seis primeiros meses deste ano. O que eles tentaram nessa rodada é provar o impossível, mas os números não mentem", argumenta Juvandia.


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