Caixa ultrapassa Itaú em ranking de maiores bancos, segundo BC
A Caixa Econômica Federal ultrapassou o Itaú Unibanco e assumiu a segunda colocação no ranking de maiores bancos brasileiros no primeiro trimestre deste ano, de acordo com o critério do Banco Central. O banco público encerrou março com R$ 1,242 trilhão em ativos totais, um aumento de 3% em relação a dezembro. O Itaú registrou queda de 6% nos ativos no trimestre, para R$ 1,205 trilhão.
Com o avanço da Caixa, os dois maiores bancos do país passaram a ser instituições controladas pelo governo. O Banco do Brasil manteve a liderança no ranking, com R$ 1,443 trilhão em ativos, de acordo com os dados do BC, que não consolidam todas as atividades das instituições financeiras, como seguros.
Com base nos balanços do primeiro trimestre publicados pelos bancos, o Itaú permanece à frente da Caixa em ativos, com uma vantagem de R$ 42 bilhões. Essa diferença, contudo, era de R$ 216 bilhões em março do ano passado.
O avanço da Caixa é resultado da política de concessão de crédito via bancos públicos implementada nos últimos anos do governo Lula e no primeiro mandato da presidente afastada Dilma Rousseff. A instituição começou a desacelerar o ritmo de concessões de financiamento, mas ainda se mantém em um ritmo mais forte do que os concorrentes privados.
A Caixa encerrou o primeiro trimestre com uma carteira de crédito de R$ 684 bilhões, uma alta de 0,7% no trimestre e de 9,2% em 12 meses. Para sustentar a expansão do banco, o governo fez uma série de aportes com o uso de instrumentos que podem ser contabilizados como capital.
Ainda assim, a Caixa encontra-se hoje com pouca folga no balanço para expandir os financiamentos. O índice de Basileia, que mede o quanto uma instituição financeira pode emprestar em relação a seu patrimônio, caiu de 14,43% para 13,69% entre dezembro e março, o menor entre os cinco maiores bancos de varejo brasileiros, mas ainda acima do indicador mínimo de 10,5% estabelecido pelo BC para este ano.
Apesar da estratégia de reduzir o balanço e frear o crédito em meio à piora da economia, o Itaú tem boas chances de retomar à segunda posição no ranking já no próximo trimestre, quando passará a consolidar os resultados do chileno CorpBanca. Em março, a carteira de crédito do banco adquirido pelo Itaú em 2014 era de R$ 78 bilhões.
Em outra mudança na atualização mais recente nos dados do BC, o Bradesco passou o BNDES e passou a ocupar a quarta posição no ranking. O banco da Cidade de Deus fechou o primeiro trimestre com R$ 925 bilhões em ativos, ante R$ 923 bilhões do banco de desenvolvimento. No fim do ano passado, o BNDES possuía R$ 20 bilhões em ativos a mais que o Bradesco. A tendência é que a margem hoje apertada fique mais favorável ao banco privado após a incorporação do HSBC Brasil, que aguarda o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O ranking de maiores bancos costuma ser alvo de grande disputa entre as instituições. Embora a posição na lista tenha pouco efeito prático, o ganho de escala proporcionado pelo crescimento dos ativos é apontado como fundamental na competição entre os grandes bancos de varejo. O BC deixou de divulgar a relação das 50 maiores instituições em 2014, quando atualizou o sistema e permitiu que o próprio usuário ordene os bancos pelo critério que desejar.
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