16/03/2021
Mesmo com agravamento da pandemia, bancos não se comprometem sobre suspensão das demissões

Com a pandemia da Covid-19 em seu mais grave momento no país e os seguidos recordes de mortes pela doença, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não se comprometeu com a suspensão das demissões na categoria bancária, medida tomada no ano passado, no início da propagação da doença. Foi a terceira reunião neste começo de 2021 com o Comando Nacional d@s Bancári@s, que representa o Sindicato nas negociações, sem respostas sobre medidas de segurança contra o contágio. O Comando Nacional vai organizar atividades em defesa da vida e da saúde no dia 24.
A reunião desta terça-feira (16) era para os bancos responderem se iriam voltar a suspender as demissões, como no início da pandemia. “Esperávamos que os bancos atendessem à essa reivindicação tão necessária nesse momento. Eles disseram na reunião que a demissão na categoria era pequena. Desde 2013 eles cortaram 82 mil postos de trabalho. Isso é o tamanho de um grande banco”, afirmou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional.
Na última reunião, dia 11 (sexta-feira), o Comando Nacional também apresentou as reivindicações de diminuição do horário nas agências, redução das metas e fim das visitas. A Fenaban também se comprometeu a dar respostas sobre as questões, mas nada apresentou desde então. Alguns bancos se comprometeram a suspender as visitas, mas a Fenaban disse que ainda não tem como se comprometer. O Comando Nacional e o Sindicato não irão aceitar que bancári@s sejam mandados a fazer visitas.
“Não vamos aceitar que bancárias e bancários fiquem expostos nessas visitas. Vivemos o pior momento da pandemia que o país já viu, o número de mortes não para de crescer e está na casa dos milhares”, disse a presidenta da Contraf-CUT.
O Comando Nacional e o Sindicato não abrem mão das cobranças e insistem nas respostas a serem apresentadas pela Fenaban. Também serão marcadas reuniões diretamente com os bancos para checar as medidas de segurança que estão sendo adotadas em cada instituição.
Dia 24
O Comando Nacional d@s Bancári@s e a Contraf-CUT aderiram à convocação da CUT e demais centrais sindicais para o Dia Nacional de Lockdown pela Vida e Pela Saúde. No dia 22, o Sindicato dos Bancários de Catanduva e região e demais sindicatos da categoria em todo o país realizarão plenárias em suas bases para discutir formas de ação em cada local. As entidades vão realizar ações em suas bases com a circulação de carros de som, avisando os clientes para não irem às agências.
“Estamos na luta com outras categorias e a população contra a pandemia. Queremos que a categoria bancária seja incluída na lista de prioridades da vacina, já que estamos na linha de frente no atendimento à população. Nessas plenárias, os bancários e bancárias precisam dizer se os protocolos de segurança estão sendo cumpridos em seus bancos, se eles estão sendo obrigados a fazer visitas. Vamos denunciar caso estejam sendo obrigados a fazer visitas”, alertou Juvandia Moreira.
Live
No dia 23, a página da Contra-CUT no Facebook vai transmitir uma live com o ex-ministro da Saúde e médico sanitarista Arthur Chioro. A live começa às 18h. Chioro vai debater o momento atual da pandemia, as medias de proteção contra a covid-19 e a necessidade da vacina para a população, inclusive para a categoria bancária.
"O país inteiro está sofrendo com a irresponsabilidade desse governo. Bolsonaro ignora a pandemia e as mortes, incentiva medicamentos sem comprovação científica, faz chacota de quem usa máscaras e desencoraja a vacinação. A categoria bancária, assim como os trabalhadores da área da saúde, nunca parou, uma vez que os serviços prestados à população são essenciais. Nossos colegas também arriscaram a própria vida, expondo-se à contaminação no caminho para o trabalho, no local de trabalho e na volta pra casa. Mas, na hora da construção do Plano Nacional de Imunização, a categoria foi esquecida pelo governo e os bancos seguem negligenciando a importância da vida de cada trabalhador. Bancários da linha de frente estão adoecendo e morrendo. Precisamos fazer uma grande pressão pela vacina já ou estaremos condenados a arrastar a pandemia por anos”, ressalta o presidente do Sindicato, Roberto Carlos Vicentim.
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